terça-feira, 30 de setembro de 2008

Cadeia, o que é isso?


Legal, acabei de ler no Blog do Josias de Souza, na Folha de S. Paulo, que a partir de hoje eleitores estão proibidos de ser presos ou mesmo detidos pela polícia. As exceções: prisões efetuadas em flagrante delito; em função de sentença criminal condenatória por crime inafiançável; ou por desrespeito a salvo-conduto.


Ou seja, protejam as suas bolsas, blindem as janelas dos carros, pois até 48 horas depois das eleições podemos sofrer qualquer tipo de violência, que a lei estará protegendo os então criminosos. Ah! Mas atenção, a partir de quinta-feira, os juízes eleitorais estão autorizados a expedir salvaguardas em favor de eleitores que sofrerem qualquer tipo de violência capaz de influir na sua sua liberdade de votar. Que no caso seria....?


Além do nosso querido país permitir que candidatos corruptos e com passado sujo se elejam, ele ainda faz leis que, de uma forma ou de outra, deixam impunes os outros bandidos que irão junto conosco votar no domingo.


segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Noção infantil

Quando somos crianças parece que nossa noção das coisas ainda não foi completamente desenvolvida. Eu costumava andar de patins na sala da casa da minha e achava o quintal dela o maior do mundo. Hoje, com apenas alguns passos, dou a volta em tudo. Até que para isso temos uma explicação razoável, eu era pequena e o lugar grande demais para mim. Mas, o que explica eu achar que o veterinário da minha cachorrinha era no lugar mais longe do mundo? Sendo que ele é a uns 15 minutos da minha casa? Não faz o menor sentido. A distância não mudou e o tempo que eu levo é o mesmo? Será que eu achava longe porque ficava angustiada com a Natalie chorando o caminho todo?
A mais engraçada me veio acho que na adolescência. Durante toda minha infância, minha tia foi casada com um cara, até os meus 8 anos, mais ou menos. Depois, se divorciaram e ele, infelizmente, teve câncer e morreu um bom tempo depois. Eu devia ter uns 15 anos nessa época e comentaram sobre ele, entre palavras e outras ouvi um "japonês". Japonês? Mas porque estão falando de japonês? Ele nem era descendente nem nada... O pior: ele era sim. Era e eu não fazia a menor idéia. Ele era japonês e eu nunca tinha me tocado!!
Ainda poderia ter explicação se eu nunca tivesse visto alguém de olhos puxados e não tivesse noção disso, mas minha tinha vizinhos japoneses quando eu era pequena. Inclusive, um dia, minha mãe cortou a mão no vidro da porta (teve que quebrá-lo porque eu fiquei trancada sozinha do lado de dentro da casa) e eu fiquei na casa deles enquanto ela foi ao pronto-socorro. E eu sabia que eles eram japoneses. É, realmente, não temos noção do que se passa na cabeça das crianças, já que nem da nossa infância conseguimos desvendar alguns mistérios.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Consumismo desenfreado

Por que será que temos essa louca vontade de comprar as coisas? De querer sempre o novo e o mais moderno? De ter aquilo sem mesmo precisar? Você já parou para pensar quantas coisas já comprou sem necessidade? Ontem mesmo fui dar uma volta e comprei um brinco, mais um tic-tac com uma florzinha e mais um grampo com strass. Eu não precisava disso tudo. Tenho uns 30 pares de brincos em casa, mas eu ainda queria mais esse.
Antes disso, minha última compra foi em uma feira de scrapbook. Comprei papéis, adesivos, fitinhas e coisinhas para enfeitar um álbum que eu ainda nem comecei e nem sei quando vou começar. Mas era tudo tão lindo!! Como resistir? Sempre que paro e penso nisso, lembro-me de uma dinâmica de grupo que fiz para uma vaga de trainee da Johnson&Johnson. Eles pediam para nós desenvolvermos uma estratégia de marketing para a divulgação de um novo produto e outra para retomar as vendas de um produto antigo. Para isso, nos deram um texto sobre o Instituto Akatu, uma ONG que preza pelo consumo consciente.
Afinal, o que é consumir com consciência? Segundo eles, "O mais comum é as pessoas associarem consumo a compras. A compra é apenas uma etapa do consumo. Antes dela, temos que decidir o que consumir, por que consumir, como consumir e de quem consumir. Depois de refletir a respeito desses pontos é que partimos para a compra. E após a compra, existe o uso e o descarte do que foi adquirido". Consumir com consciência é levar em conta os impactos provocados pelo consumo. Por exemplo, "o consumidor pode, por meio de suas escolhas, buscar maximizar os impactos positivos e minimizar os negativos dos seus atos de consumo, e desta forma contribuir com seu poder de consumo para construir um mundo melhor".
Nada melhor do que viver de simplicidade. Ser simples nos leva a consumir com consciência e a valorizar o essencial, o que não quer dizer que seja uma vida chata. Os pequenos prazeres é que tornam a vida especial. Como diria a atriz da peça "Os homens são de Marte e é pra lá que eu vou...", vamos praticar a arte do desapego!! Pra ela não deu muito certo... Também não sei se pra mim daria, mas não custa nada tentar.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Caros Parlamentares

Recebi um e-mail hoje com um vídeo reproduzindo uma matéria veiculada pela Rede Globo. Ela denuncia o preço dos parlamentares no Brasil. Com estatísticas reais do estudo desenvolvido pela Organização Transparência Brasil, o contribuinte brasileiro paga pelos parlamentares mais caros do mundo. O minuto trabalhado no país custa R$ 11.545,00, nossa média supera países de primeiro mundo, como a Itália, França e Espanha.
Indigne-se.
Leia mais sobre os custos no Congresso em http://www.transparencia.org.br/docs/parlamentos.pdf
Saiba mais sobre a Organização Transparência Brasil http://www.transparencia.org.br/index.html

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Franco atirador

Mais um doente mental. Mais uma vez na Finlândia. Mais nove mortos por conta da raiva de um jovem estudante. O que leva essas pessoas a cometerem tamanha atrocidade? Mas não pense que isso é exclusividade dos finlandeses. A cada dia que passa vemos novas notícias na internet, na TV e nos jornais sobre os homicídios em escolas e universidades. Na maioria das vezes, o atirador morre no final. No caso mais recente, ele sobreviveu mesmo com um tiro na cabeça.
Muita gente pode dizer que eles fazem isso porque estão com problemas em casa, na escola ou simplesmente possuem algum distúrbio psicológico. Em uma busca rápida no Google, encontrei que 90% dos suicídios têm como motivo doenças mentais e que é mais comum em países desenvolvidos por eles não darem tanta importância ao tratamento e prevenção dessas doenças. Os transtornados poderiam apenas se matarem, poupando a vida de outros inocentes. Certa vez, ouvi dizer que os altos índices de suicídio na Suécia (acredito que é o país com a maior taxa do mundo) se devem ao fato de o país ser perfeito. De tão perfeito e desenvolvido, as pessoas não conseguem fugir de maneira nenhuma à regra, acabam se sufocando e se matando. Até que faz sentido.
Observando por uma ampla perspectiva, no Brasil, não temos nem um descente atendimento de saúde público, quanto mais voltado para doenças mentais. Nós seríamos menos loucos do que os outros? Há inúmeros motivos para os brasileiros se revoltarem, porém essa revolta vem com o nome de assalto, sequestro e violência. Só me lembro de um caso desse no Brasil, o do estudante que entrou durante o filme "Clube da Luta" no Shopping Morumbi e atirou em todo mundo. Coitado. Pelo menos, ser alvo de um amigo da faculdade, em plena sala de aula, o brasileiro não precisa se preocupar. Só é preciso temer os arrastões nos túneis do Rio de Janeiro ou as balas perdidas quando se está andando pela calçada.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Denúncia ao Coronel

Coronel Fernando Prestes foi agricultor, advogado e político em São Paulo. Foi deputado federal e criou o Instituto Butantan. É em sua homenagem que a praça, localizada na saída do metrô Tiradentes, ganhou seu nome. É também nessa praça arborizada que está localizada a Escola Técnica Estadual Paula Souza, um casarão antigo reformado, alguns mendigos dormindo nos bancos, estudantes brincando em seu parquinho de madeira, velhinhas dando comida para as pombas e o Quartel do Comando Geral da Polícia do Estado de São Paulo.


O casarão imponente surge atrás de um lindo jardim com fontes e árvores bem desenhadas. Com uma variedade imensa de plantas, parecendo um bonsai gigante, o jardim aparenta um cuidado especial e revela algumas casinhas de madeira, no estilo oriental, aos olhos mais cuidadosos. Sentinelas que mais parecem estátuas vivas guardam as duas pontas do quartel. De lá saem alguns policiais à paisana, com cara de mau.


É também na mesma praça que o vendedor de morangos e jabuticabas fica todos os dias. Além do tio do sorvete a R$ 0,50 que para por lá na hora do almoço. O banho de sol agrada alguns empregados depois do almoço e quando o calor está intenso, as grandes árvores os protegem dos raios fortes. Cada dia que passo, noto algo diferente, mas durante a semana passada, algo se tornou muito comum. São caminhões pipas com mangueiras estilo vap e funcionários lavando o chão da praça, que além das habituais calçadas possui ruas (bloqueadas para os carros) de paralelepípedo. Todos os dias na hora do almoço, eles estão terminando de lavá-las.


Por que ruas e calçadas deveriam ser lavadas todos os dias, se serão sujas novamente no dia seguinte? Apesar de usarem vap, que possui um consumo reduzido, a quantidade de água que eles estão desperdiçando a cada lavagem deve ser absurda. Com tantos alertas, propagandas e apelos para uma melhor consciência ambiental da população, o nosso próprio governo joga fora litros e litros de água, lavando ruas? Seria por que nessa tal praça há o grandioso Quartel do Comando Geral da Polícia de São Paulo? Ou seria por que estamos a duas semanas das eleições municipais? Ou ainda por que muitos mendigos dormem lá durante a noite e devem fazer muita sujeira nesse período? Realmente, está é uma questão muito difícil de solucionar, apesar do grande adesivo da Prefeitura de São Paulo no caminhão dos lavadores.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Senhoras Bailarinas


O que vem a sua cabeça quando alguém diz bailarina? Uma sapatilha, um collant rosa, um tutu lindo no corpo de uma mulher magérrima, alta, com pernas e músculos definidos e um coque bem no alto da cabeça. Esse é o estereótipo da bailarina. Mesmo fazendo ballet e não ser assim, seria esse o meu primeiro pensamento.

E o que você diria se visse essa foto ao lado? Que são vovozinhas prontas pra um baile à fantasia? Que estão na festa da escola de ballet das netinhas? Ou que elas vão fazer uma caridade e posar para o calendário da Liga das Senhoras da Terceira Idade? Nenhuma das alternativas. Elas são as “Majorettes de Horni Lhota”, um grupo de senhoras-bailarinas entre 57 e 72 anos, originário da República Tcheca. Todas vivem no mesmo povoado, localizado ao leste do país, quase fronteira com a Polônia e fazem apresentações abertas ao público.


Foi com o cancan que elas conquistaram seus fãs. A dança francesa é reproduzida pelas senhoras em espetáculos pagos (8 euros cada ingresso) e em festas populares pela República Tcheca e pela Polônia, além de serem alvo de artigos e reportagens na TV. As apresentações, por sua vez, precisam ser divididas em três longas pausas para que as bailarinas recuperem o fôlego.

O bom humor das integrantes contrasta com a população local que viveu durante a época do comunismo e da ocupação nazista. Elas também se apresentam em casas de repouso porque consideram importante levar a alegria à vida. Para Jarmila de 64 anos, a atividade é cansativa, mas ela não largaria a dança por nada desse mundo.



quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Joaninha


Ela caminhava lentamente por aquela colina de neve, a imensidão branca à sua frente bloqueava a visão do horizonte. Engraçado que não ventava nem fazia tanto frio. De repente, ela parou. Cansou, de certo. E foi em cima do meu edredon que encontrei aquela bolinha vermelha com pintinhas pretas. Tem coisa mais linda do que uma joaninha?


Fico pensando como a natureza surpreende fazendo um inseto tão perfeitinho e longe de ser um bicho nojento como a maioria é. E as cores? Por que essas? Já vi joaninhas de várias outras, mas nenhuma é tão autêntica quanto à vermelha de bolinhas pretas. Ela nos remete à infância e torna um simples dia comum em algo muito mais especial. Posso estar fazendo o que for, mas paro para pegá-la e fico observando-a passear entre meus dedos. De tão levinha, ela passaria despercebido.


Quando era pequena, via muito mais joaninhas. Elas estavam por todos os lados. E não existia outras de cores diferentes. Parecia até a mesma que vinha sempre pousar perto de nós. Hoje, eu as encontro com menos frequência. Penso até que elas devem gostar mais de crianças ou que as crianças são abençoadas por serem rodeadas de joaninhas. Uma vez, me disseram que encontrar uma joaninha significa sorte, pesquisando na internet descobri que esse significado está atribuído ao fato de elas se alimentarem dos predadores dos pomares, salvando a colheita. Se é realmente verdade ou não, ninguém pode dizer, mas eu me consideraria sortuda se esbarrasse todos os dias com uma joaninha por aí.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Irracionalidade

Na contramão da natureza, em que os animais agem por instinto, os homens acabam agindo com a razão, baseada em emoções, claro. Ações que parecem ser mais influenciadas pelo meio em que vivemos do que impulsionadas por motivos ou consequências. Agir por instinto deve ser algo tão simples que resolveria os nossos problemas. Aliás, simples não é uma palavra que pode estar associada à sociedade. A maioria das regras da nossa sociedade foi baseada em morais nada práticas para o nosso dia-a-dia. Morais que nos colocam em becos aonde o fim do túnel está anos-luz a nossa frente. Quem criou essas regras? Ou melhor, quem pode mudá-las? Não segui-las é sinônimo de ser marginalizado? Talvez, hoje, a sociedade nos impõe limites que não nos permite agir com nossos instintos ou saciar nossas pulsões, assim como Freud concluiu há tempos atrás.


Dentro desses limites nossa percepção nos escapa e agir por impulso virou raridade. O que é esse tal de feeling mesmo? O que nos faz fazer contas matemáticas para saber qual atitude devemos tomar ou qual a probabilidade de um caminho ser o certo ou não? O medo de errar? Não seria mais correto, mais humano, seguirmos nossos instintos ao invés de uma fórmula pronta?
Realmente, os cientistas têm razão, o Homo Sapiens é a espécie mais racional que existe. Beirando o artificial de tanta racionalidade.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Acaso

Aproveitei minha hora de almoço para comprar algumas utilidades na 25 de Março. Até o metrô dá uns 10 minutinhos andando e pelo caminho a gente pode esbarrar com pessoas e situações engraçadas. Passei pela primeira esquina e encontrei uma mulher, nova, deveria ter uns 30 anos, com meia calças pretas e grossas, sapato preto fechado, casaco de frio e a curiosidade, um lenço colorindo cobrindo os cabelos como se fosse um turbante. Se eu estivesse em qualquer outro bairro, poderia dizer que era uma crente, mas sua pele branquinha e as sardinhas não negavam sua origem judaica. Afinal, estava em um bairro fundado por imigrantes judeus.
Andando mais um pouquinho pra frente, na próxima esquina, uma outra. Parecidíssima, só mudava a cor do lenço e os tons da roupa. Até pensei, brincando, que poderiam ser irmãs. Entrei no metrô e logo me esqueci de ambas depois que percebi quanto tempo as pessoas perdem usando a escada rolante. Chegando lá, a multidão me levou ao meu destino, uma loja de tecidos.
Depois de feitas as compras, fui a uma loja de armarinhos, assim que entrei e olhei para o lado, as duas judias de antes estavam lá! Subindo as escadas, apressadas, procurando suas compras. Incrível como o mundo pode ser ao mesmo tempo tão grande e tão pequeno. Como as pessoas estranhas ou conhecidas acabam cruzando as nossas vidas nos lugares menos esperados? Será mera coincidência? Ou o mundo não é feito de acasos?

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Bom Retiro dos coreanos


São Paulo está cheio de imigrantes. E não estou me referindo aos nortistas e nordestinos que chegam aos montes na cidade. Falo a respeito dos que deixam seu país de origem para ganhar a vida no Brasil, um país ainda em desenvolvimento. Eles ocupam bairros inteiros, criam sociedades e se fecham em círculos tão restritos como se nós fôssemos os invasores.

Há pouco mais de um mês, estou trabalhando em um desses bairros, o Bom Retiro. Diariamente, infinitos olhos puxados cruzam a minha frente falando línguas inteligíveis para nós. Há muitos anos, quando o bairro foi fundado, judeus e sírio-libaneses dominavam suas ruas, hoje, deixam seus lugares para os coreanos e suas confecções de terceira linha. Ao andar pelas ruas ainda podemos ver os resquícios dos pioneiros: restaurantes, casas de chocolate e cafés mesclados a mercadinhos vendendo chá verde e suco de lichia, restaurantes escuros com cheiro de peixe na porta e cantinhos com tempurás e espetos de camarão na vitrine.

Tentando fazer da cidade a sua casa, eles reproduziram sua escrita por todos os estabelecimentos comerciais do bairro. Como eu adoro experimentar coisas novas, resolvi explorar os redutos coreanos. Entrei em mercadinhos, comprei sucos, chás, bolachas e tomei sorvetes. De poucos, eu arranquei um sorriso, poucos me deram boa tarde, poucos me disseram o preço do produto sem errar. Eles saem de sua terra natal e não são capazes de serem educados com o povo que os acolheu? Por que eles me olham estranho cada vez que eu estou comprando deles? Por que eles “roubam” os recursos do meu país e a mão-de-obra se nem sequer conseguem oferecer produtos e serviços com qualidade?

Como sou insistente, fui novamente invadir a comunidade coreana. Desta vez, a tarefa era fácil, fazer a unha. Fácil? Pra quem? No primeiro em que toquei campainha não conseguiram me entender, nem com gestos (Sim, campainha. Os estabelecimentos coreanos não ficam abertos aos pedestres, você precisa tocar ou bater na porta para eles te atenderem). No segundo, eu que não entendi o preço que um coreano com cabelo engraçado me dizia. Enfim, no terceiro cabeleireiro me entenderam, mas não sem a ajuda da manicure brasileira. Foram os R$ 4,50 mais mal gastos da minha vida.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Apocalipse

Ontem, foi a chance do mundo ter acabado. Quem achou que acabaria e tomou atitudes impensadas, realizou loucuras contidas ou mesmo gastou todo o salário do mês, hoje deve estar extremamente arrependido. A tentativa de recriar o tão famoso "Big Bang" foi um sucesso, de acordo com os cientistas que projetaram o LHC (Grande Colisor de Hádrons), mas a vitória não tem relação com o fim do mundo. Segundo os pesquisadores, o medo gerado com o teste da nova máquina não passa de hipótese impossível. Definitivamente, ela não poderia gerar um miniburaco negro que engoliria a Terra.

Afinal, esse fato nem estava na previsão de Nostradamus. Em suas profecias, o início do fim se daria com a chegada do terceiro anti-cristo encarnado em seres humanos. Segundo os estudiosos do assunto, dois já foram: Napoleão Bonaparte e Adolf Hitler (Eu poderia julgar que o terceiro seria George W. Bush Filho, mas parece que não).

A Bíblia também prevê o fim do mundo, como uma guerra entre Deus e todas as nações do mundo. O Apocalipse de João cita o anti-cristo e o Dia do Juízo Final, em que os homens seriam julgados pelos seus pecados na Terra e condenados a passar a eternidade no Céu ou no Inferno. Parece-me que esse dia está mais próximo do que nunca, mas a guerra não é contra Deus, e sim, os homens contra eles mesmos. É só você olhar em volta para observar como o fim do mundo está próximo, com tanto lixo espalhado na rua, com notícias diárias sobre o derretimento das geleira, com o desmatamento crescente de florestas e matas, com o desperdício em cada mangueira lavando uma calçada ou com os bombardeios frequentes entre povos vizinhos. Nenhuma profecia é capaz de prever essa degradação. O homem está desenvolvendo seu próprio Armagedom.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Admirável Mundo Velho

Eu sempre acho que usar o metrô é uma boa opção. Você chega rápido e não pega trânsito. Só por esses dois motivos, o metrô deveria ser condecorado como a "Maravilha de São Paulo". Eu uso o metrô todo dia, na maioria dos meus empregos ele foi meu meio de transporte, mas, felizmente, só pegava a Linha Verde. Até agora. Há um mês, venho andando pela Vermelha e pela Azul e percebi o quão mal educado pode ser o homem.
As frases transmitidas pelo alto-falante pedem, imploram, gritam educação para os milhares, mas se perdem na multidão a cada passagem do trem. As regras são óbvias, nem deveriam ser ditas, na verdade, não precisaria se todos tivessem uma básica noção do que é conviver em sociedade. Concordo que o transporte público brasileiro está longe de bom, inclusive, o nosso metrô foi apontado como o mais lotado do mundo, mas não é por isso que as pessoas devem torná-lo pior do que é.

Em um dos meus testemunhos a favor da má educação, me lembrei de um livro que li na faculdade, chama-se "Admirável Mundo Novo". Ele retrata uma sociedade totalmente esquematizada e controlada por regras. Os sentimentos são banidos e não há ética e nem valores morais, mas o mais interesse do livro é a maneira como os bebês são condicionados desde a sua geração, que se dá em laboratórios. Nos primeiros meses de vida, eles escutam frases de como devem se comportam perante à sociedade que nasceram para enfrentar. Quais são as regras, o que se deve ou não fazer, quem é quem, quais são as classes sociais e até informações sobre sexo.

No livro, dá certo. Os cidadãos seguem as regras e não há conflito. Por que é tão difícil seguir uma regra que está sendo dita em alto e bom som? Não é óbvio ter que levantar para um senhor sentar-se? Não é lógico entrar dentro do vagão e se dirigir aos corredores para mais pessoas conseguirem entrar? Não está claro que quando toca o alarme a porta fechará e não está certo segurá-la? A própria voz te dá a estatística: 70% dos atrasos do metrô ocorrem porque pessoas seguram as portas. Poderia dar certo se as crianças fossem condicionadas desde o nascimento, mas quem seria responsável por isso já que os pais continuam surdos para as vozes que ditam as regras continuamente dia após dia?

domingo, 7 de setembro de 2008

Querido, me dá seu mapeamento genético?

Na semana passada, foi descoberto por cientistas norte-americanos e suecos um gene presente nos machos associado à capacidade de ser um bom marido ou não após o casamento. A descoberta foi feita em um tipo de rato do campo que tinha o gene e relações monogâmicas com as fêmeas. Esse gene é o responsável pela regulação do hormônio chamado vasopressina, que está relacionado com modo como os homens se comportam no casamento.


Após os ratos, os homens foram testados e a conclusão foi a de que: nas relações mais estáveis, os homens não tinham cópias do gene que regula a vasopressina, nas relações infelizes, o gene estava presente em uma cópia ou mais e as muheres, insatisfeitas. Segundo os cientistas, vasopressina é o hormônio liberado após uma relação sexual e determinante para que se formem os vínculos afetivos.


Será que no futuro teremos como determinar pela ciência com quem iremos casar? Ou até mesmo pedir um mapeamento genético antes de começar uma relação séria? "Olha, me Amor, gosto muito de você, mas antes de iniciarmos um namoro, eu queria ter certeza de que você é o homem certo pra mim. Você poderia me emprestar seu seqüenciamento genético?". De repente, a ciência poderia evoluir tanto que daria para produzir uma vacina contra esse gene defeituoso! Uma vitória para as mulheres. Azar dos homens que terão que aguentar apenas uma de nós para o resto da vida.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Momentos

São minutos, horas, dias, meses e anos que formam uma relação. E são esses momentos que a fazem crescer e se tornar cada vez mais forte. São os momentos que fazem as lembranças e são as atitudes que as fazem mais especiais ainda. Lembranças que ficam guardadas em cada cantinho do nosso coração.

Obrigada por fazer do meu coração um cantinho repleto de boas lembranças!

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Amigos lá fora


Barcelona, Austrália, Buenos Aires, Canadá, Chile. O que esses países têm em comum? Meus amigos. Eles estão lá, trabalhando, estudando, juntando dinheiro, tentando uma vida melhor e procurando alternativas. Alternativas à falta de mercado e de empregos satisfatórios ou até mesmo alternativas para o futuro. Por que tudo não fica claro antes de escolhermos qual faculdade vamos fazer, qual curso está na moda, qual é o mais concorrido? Quando vamos prestar vestibular deveria ter um link na internet contando as experiências de recém-formados naquela profissão.

Mas acho que o motivo nem sempre é profissional. Talvez seja pra espairecer ou fugir um pouco de tudo o que acontece ao redor. Pode não ser a melhor alternativa, mas pode funcionar. Nunca fiz intercâmbio. Já tive vontade, claro. Acho que pela cabeça de todos já passou essa idéia. Vemos isso como uma oportunidade para mudar de vida, uma maneira de transformar o presente e não deixar que nosso futuro previsto se realize. Mas nunca fui, nunca tomei a iniciativa de realmente querer. Se fosse por pouco tempo, acredito que iria numa boa, mas se fosse por uns seis meses ou mais, aí complica. A palavra certa para explicar isso é o medo.

O primeiro medo é de gostar muito, tanto a ponto de não querer voltar. O segundo medo é de deixar o que está aqui. E se quando eu voltar nada estiver mais desse jeito? O terceiro é o medo do desconhecido, claro. Admiro aqueles que vão com a cara e a coragem. Admiro aqueles que realmente ficam e passam por cima da saudade

O engraçado é que a maioria foi e está indo por situações parecidas: vida profissional insatisfeita, mercado saturado, sem oportunidades vantajosas de trabalho. Todos os que conheço se deram bem, uns mais do que outros, mas todos sentem saudades absurdas e pretendem voltar, mesmo que seja daqui a 6 meses ou 2 anos. Afinal, nada pode ser comparado ao nosso lar. A vantagem de quem fica? Amigos ao redor do mundo para visitar! Um beijo a todos os meus amigos que mesmo longe, estão no meu coração!

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Lindas no Photoshop


Duas mulheres andam tranquilamente olhando as vitrines na rua. Parecem mãe e filha. As duas já fizeram suas comprinhas, mas continuam observando. De repente passam em frente a uma loja bonita, com a decoração impecável e as roupas elegantérrimas.

Filha: - Ai não, essa loja é muito cara.

Mãe: - E as roupas são muito sérias.
Filha: - Verdade, mas sabe que se for em uma mulher magra, alta e bonita, ficaria super chique.

É claro que uma roupa elegante em uma mulher linda ficaria ótima, mas, o que não ficaria? Afinal o que é uma mulher linda e o quantas delas existem no mundo? Levando em conta o conjunto da beleza física com a interior, eu diria que são raridades. Sem contar o caráter e a personalidade de cada uma, podemos ver diversas mulheres lindas em revistas que adoram contar a vida das celebridades, mas seriam elas bonitas realmente?

Todo mundo pensa que sim, todo mundo sabe que mexem daqui, mexem de lá, mas que, no fundo, a mulher tem que ser bonita quando acorda às 6 da manhã com o cabelo despenteado para sair daquele jeito nas fotos. Hoje, eu descobri que não. Já tirei espinha no Photoshop, arrumei um fundo esquisito ou até mesmo deixei a foto mais claro. Mas transformar a pele em um pêssego foi novidade pra mim. Você pode ter mil e duzentas rugas, mas se quiser aparentar 20 anos mais jovem o nosso querido programinha pode te ajudar. O cabelo, os olhos, a boca, o pescoço, tudo fica lindo. Dá trabalho, mas até a maldita celulite some.

É praticamente um presente de Deus. É, mas como podemos dizer que a fulana é alta, magra e linda se nem sabemos o que é de verdade? Como se basear em padrões de beleza que nem sabemos se existem? É muito bom melhorar uma foto feia ou ficar mais bonita para o porta-retrato da sala, mas vale a pena ser o que você não é? E qual seria a sua reação se uma pessoa visse uma foto sua, linda, maquiada, com a luz perfeita e pele de pêssego, e depois olhando para a realidade dissesse: "Nossa, não parece você"? Então, se você já ganhou um elogio às 7:30 da manhã depois de uma noite mal dormida por conta do barulho do vizinho, pode ter certeza que você é realmente linda... =)

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Deu branco

"Xi, deu branco". Essa é uma expressão que todo mundo já usou um dia na vida. Na hora da prova, quando seu chefe perguntou o por quê, na longa explicação aos pais por ter chegado tarde em casa ou mesmo na hora de discar o número da sua melhor amiga que você liga mais de 50 vezes por dia.
Acho que essa expressão está totalmente errada. Nada está branco, muito pelo contrário, está turvo, confuso e com milhares de letrinhas passando ao mesmo tempo que te impedem de dizer ou escrever a resposta correta. Na prova, por exemplo, estamos com tanta informação acumulada e tantas frases decoradas que bem quando precisamos não conseguimos pescar a informação certa.
Hoje mesmo, tentei começar por três vezes um novo post, mas tudo que consegui foi um ou dois parágrafos de cada. Não dava, o assunto não fluía, o cérebro parece que deu uma pane. Só que não estava nada branco. Os acontecimentos do dia, de ontem, da semana, do mês, do ano, emergem de uma só vez e nos fazem pensar até demais. Se tudo estivesse branco seria um alívio. Branco é paz, branco é nada, branco é vazio. Queria poder repetir incessantemente: "deu branco". Ainda bem que por alguns segundos preciosos tenho os meus "brancos" para me apoiar.