sábado, 30 de agosto de 2008

Mexe mexe que é bom - parte 2

Os gritos eram insurrecedores. As fãs levantaram faixas, flores, ursinhos. Todas se aglomeraram bem pertinho do palco. A produção do show era muito legal, a minha primeira impressão foi que eu estava dentro de uma daquelas propagandas das Lojas Marabraz da época do Natal. Não demorou muito para que a idolatria à dupla começasse a me irritar. Havia mais câmeras e celulares do que mãos para cima. De repente, uma mulher gordinha entra na frente da minha amiga e quase cai em cima dela par tentar tirar uma foto. Acho que ela achou que o zoom funcionasse conforme você se afastava da câmera. Minha amiga colocou o braço para se defender do peso da mulher e disse que ela estava caindo. Foi quando ela virou: "Num tô caíno não, Fia".

Ainda persistimos mais um pouco no lugar em que estávamos. Depois de umas duas músicas, alguns caipiras bêbados entraram na nossa frente. Um deles não parava de bater em mim e cambalear do meu lado. Não costumo perder assim rápido a paciência e nem ser grossa nessas situações, mas não suporto gente folgada. Então, dei um empurrão no cara que ele voou em cima de umas cinco pessoas. Por fim, desistimos do meio da pista. Minha amiga começou a ficar com calor e fomos para o fundão. Conseguimos respirar aliviadas e até ter uma visão melhor do palco. Enquanto isso, o Zezé gritava: "Pessoal, vamos fazer de novo essa. Agora quero ouvir vocês gritarem mais". E lá ia o povo, gritando junto com a dupla.

A repetição foi cansando, cansando, já era o décimo "Faz mais uma vez comigo, uou, uou" que escutávamos. Sentamos no chão para passar a dor no pé e descansar um pouquinho. No "Ai ai ai , esse amor", levantamos, dançamos um poquinho. Minha amiga ainda delirava pelo Luciano desde o começo do show (desculpa, Xuxu, mas tive que contar). Acabando a música, o Zezé pergunta para a platéia: "Vamos fazer essa mais uma vez?". A multidão não se conteve: "Não!!". Mesmo com a resposta negativa do público, eles repetiram mesmo assim. Até a suíte com as amigas do filho ou da filha do cantor virou de costas e continuou o papo animado regado a muita bebida e cigarros.

Ainda tentamos repor as energias lá fora, mas quando setamos no chão junto com muita gente que já não aguentava mais o show, tivemos a certeza de que era melhor irmos embora. Fomos, nós e muita gente que, na fila, achava que esse seria o melhor show da dupla. Eu cheguei não achando nada da dupla, mas fui embora com uma certa raiva pelo desrespeito com o público. Minha amiga acabou inconformada, mas prometendo que me levaria ainda nos ótimos shows do Zezé Di Camargo e Luciano.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Mexe mexe que é bom - parte 1

A fila no Credicard Hall chegava quase até o meio do quarteirão. O motivo: gravação do DVD do Zezé Di Camargo e Luciano. O que eu estava fazendo lá? Como sou uma super amiga, fui acompanhar minha querida amiga super fã da dupla sertaneja. Já que quem está no inferno, abraça o capeta, eu quase comprei um chapéu de cowboy para o show. Chegando lá, me arrependi de não ter comprado.

A fila começou engraçada, era sotaque do interior para todos os lados, mulheres enlouquecidas tentando adivinhar aonde os ídolos estavam àquela hora e outras bravas por causa do tamanho da fila. Uma delas, que estava à nossa frente, queria saber porque o Saddam não tomava uma providência e vinha tirá-la de lá junto com seus convidados. Virei pra minha amiga e perguntei: "Que Saddam? Hussein?". Mais pra frente descobrimos que estávamos na fila errada. Para quem ia na pista não tinha fila, apenas uma leve muvuca. Já lá dentro, ganhamos lanterninha das Lojas Marabraz e balas. Produtos dos cantores rodeavam o hall da casa de shows.

Às 21:30 estava marcado para começar o show, mas era óbvio que iria atrasar, só não imaginei que tanto. Ficamos uma hora e meia vendo as letras das músicas novas em um telão para decorá-las e sair bonito no DVD. Um "Liminha" da vida pedia para nós gritarmos, batermos palma e cantarmos "Ai, ai, ai, ai" para a câmera. Ao todo, foram umas 5 músicas, repetidas umas 300 vezes. Cansadas, sentamos no chão no meio do povo mesmo. Aí, entrou a banda, veio o blecaute e o show começou.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Tragédias sem manchete

Aproveitando o gancho do louco suicida de ontem, há uma semana atrás, estava passando de carro pela Sumaré de noite com uma amiga. Eram umas 9:30 e paramos no farol abaixo do viaduto do metrô. Quando olhamos para o lado, havia um cara deitado na calçada, barriga à mostra virada para cima e braços jogados para trás. A primeira impressão foi a de um bêbado que encheu a cara o dia todo e não suportou sua ressaca, mas depois de olhar melhor chegamos a conclusão de que estava morto.

Alguns metros mais à frente, os piscas de dois carros recém-parados na pista brilhavam. As pessoas apontavam para cima e para baixo. O farol abriu. A primeira pergunta da minha amiga foi: "Será que ele pulou?". Respondi que nem sabia se ele estava morto. E ela: "Mas você não viu a cabeça dele toda ensangüentada?". Não, eu não tinha visto...

Ficamos com o fato na cabeça até a chegada na aula de patinação. Como ele poderia ter caído tão certinho se tivesse mesmo pulado? Teria se jogado e depois se arrastado até a calçada? Ou foi um tiro na cabeça? Será que não foi atropelado e o motorista fugiu? Até que ela me perguntou: "Você teria coragem de ir lá ver?". Respondi que sim, sem pensar muito. Mas, por que teria?

Fiquei pensando em como as pessoas são atraídas pela tragédia. Acidentes, pessoas mortas e confusões sempre formam rodinhas de curiosos em volta. A maioria do trânsito formado pelos acidentes nas vias de São Paulo é devido aos motoristas que passam a 5 km/h para observar a desgraça mais de perto. Qual a porcentagem de reportagens que não falam sobre tragédias nos jornais e noticiários de TV? Menos que 50%, com certeza. Comprovando isto, está o nosso famoso "Aqui e Agora".

Já me perguntei por que os jornais televisivos - principalmente estes porque podem se valorizar das imagens para tornar o ocorrido mais sensacionalista ainda - não produzem matérias mais leves e positivas para a sociedade. Produzem porque dá audiência. Produzem porque o povo quer ver. Ver pra quê? Quem precisa ver o sofrimento de uma família que perdeu um filho em uma chacina no interior do Mato Grosso? Ou será que todos acabam vendo justamente porque só passa isso na TV?

Depois da aula, passamos de novo no local aonde estava o morto e comprovamos sua morte. Havia um carro de polícia cercando o local - o resgate não pode ser acionado quando a pessoa já está morta - e esperando pelo IML. No dia seguinte, procuramos em todos os lugares para saber de fato o que tinha acontecido e quem era o homem. Não encontramos nada, em lugar nenhum. Por mais que fosse uma tragédia, era muito pequena comparada às grandes manchetes que os jornais tinham estampadas em suas capas naquele dia.

Passei por lá novamente. De manhã, só restava o sangue na calçada e nenhum vestígio de uma das milhares de pequenas tragédias que acontecem diariamente no mundo.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Blecaute

Impressionante como a falta de luz em alguns bairros pode simplesmente parar a cidade de São Paulo por completo. Para ser mais exata, 425 mil pessoas. Eu estava voltando do trabalho quando soube que meu bairro estava às escuras. Logo percebi: faróis sem funcionar, buzinas infinitas, apitos do CET, casas com velas e lojas com gente na porta vendo os carros passarem.

Fui até à aula de dança (estava quebrando um galho para minha professora) para "bater cartão" e meu amigo me disse que a energia tinha acabado por conta de uma pessoa que pretendia se jogar da torre da Eletropaulo. Acho que eu e mais meia São Paulo que ficou presa no trânsito ficamos indignadas ao ouvir isso. Como uma única pessoa pode causar um caos na cidade?

Acredito que cada um tem o direito de tirar ou não a própria vida, mas não precisa prejudicar a de ninguém por conta disso. Aliás, uma pessoa que tem esse tipo de atitude não quer se matar realmente. Quem quer se mata e pronto, toma uma overdose de remédio ou dá um tiro na cabeça. Não fica pendurado três horas em uma torre ameaçando pular.

Até que a falta de luz rendeu boas risadas. Fiquei brincando de "Adoleta" e fazendo penteados com uma menininha de seis anos. Também expliquei o que tinha acontecido e o porquê de estarmos fazendo maria-chiquinhas no escuro. Às 19:21, a luz voltou. De repente, ela grita: "O cara pulou!!".

Para ler mais sobre o quase suicida acesse
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u438607.shtml

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Blog?


Afinal, pra que serve um blog? Nunca fui muito fã dessas novas tecnologias. Tem gente que faz site, mil blogs, nove perfis no orkut e vive conectado na internet. Sempre estou também, não vou mentir, mas porque trabalho na frente de um computador e é inevitável pesquisar na internet, conversar pelo MSN e ter um perfil no orkut, apesar de não ser muito a favor desse meio de comunicação.


Com o orkut, ninguém mais te liga pra dar parabéns, para combinar de sair ou mesmo pra perguntar se está tudo bem. A cada dia, as pessoas se tornam mais distantes, mas ao mesmo tempo, mais próximas virtualmente. O problema é que eu também faço isso. É mais fácil entrar no orkut e desejar parabéns ao invés de ligar pro seu amigo?


Não costumo ler blogs de ninguém, na verdade, nunca pensei que criaria um meu. Não via muita utilidade até me deparar com uma crise profissional. Sou jornalista, formada em 2006 e desde o final da faculdade fico me perguntando se eu escolhi ou não a profissão errada. Algumas vezes, acho que acertei, outras, que errei feio. Hoje, não faço a menor idéia. Gosto de escrever, mas não preciso ser jornalista para isso. Aliás, a maioria das vezes em que escrevi não foi por vontade própria. Depois de formada, não encontrei nenhum trabalho que me desse um sorriso no rosto quando levanto. Tudo o que eu sonhava em trabalhar, precisava de QI. Foi por isso que não estou mais no meio jornalístico e esse é o principal motivo do meu blog: escrever e provar que não desperdicei quatro anos da minha vida lendo sobre Morin, ouvindo sobre Hannah Arendt e produzindo mil matérias fictícias para passar de ano.