quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Ano Novo

A noite vai chegando
O branco vai cegando
Os fogos explodindo
Nas estrelas cansadas do céu

Quero que o ano passe
Que o sol se abra
Que o tempo voe
Que a alma descanse


O mundo e todos seus sentimentos
Girando, gritando, sucumbindo
Nos eternos traços dos momentos

Quero que o novo ano traga só alegrias
Quero que a contagem regressiva varra
Para bem longe, todos os meus lamentos.


quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Soneto de Natal

Machado de Assis


Um homem, — era aquela noite amiga,
Noite cristã, berço do Nazareno,
—Ao relembrar os dias de pequeno,
E a viva dança, e a lépida cantiga,

Quis transportar ao verso doce e ameno
As sensações da sua idade antiga,
Naquela mesma velha noite amiga,
Noite cristã, berço do Nazareno.

Escolheu o soneto . . . A folha branca
Pede-lhe a inspiração; mas, frouxa e manca,
A pena não acode ao gesto seu.

E, em vão lutando contra o metro adverso,
Só lhe saiu este pequeno verso:
"Mudaria o Natal ou mudei eu?"

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Tempo - Carlos Drummond de Andrade

"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí, entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente".

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Amigos

Deveríamos ter mais tempo para os nossos amigos. Não apenas encontrá-los para o amigo secreto do final do ano, ou para o encontro que, com muito esforço, sai só uma vez a cada 10 meses. Não vê-los apenas nos aniversários da turma ou nos reencontros do colégio. Deveríamos sair para bater mum papo, ali, na padaria da esquina mesmo. Deveríamos ligar para perguntar apenas se está tudo bem. Deveríamos doar mais do nosso tempo aos amigos. Deveríamos nos importar mais, mesmo que eles não deêm o devido valor. Deveríamos dizer que sentimos saudades.
Impossível estarmos disponíveis o tempo todo para eles, mas são os verdadeiros que estarão sempre ali para nós. Para os amigos que moram longe, mas estão sempre por perto, para os amigos que moram perto, mas nos vemos apenas uma vez por ano, para os amigos que fizeram parte de momentos importantes da nossa vida, para os amigos que moram no meu coração, eu desejo um Feliz Natal e um Ótimo Ano Novo e que em 2009 todos vocês estejam mais presentes, de uma forma ou de outra.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Convulsão Feminina - by Pai


Meu pai acha que estamos vivendo uma fase de convulsão feminina. Isso mesmo, esse foi o nome que ele arranjou para designar uma fase de histeria por parte das mulheres. Segundo sua pesquisa de campo, ele detectou 6 casos nas últimas duas semanas, em que as mulheres surtaram, gritaram, deram chilique e/ou ficaram histéricas. Ainda de acordo com a teoria, o surto acontece sem motivo aparente, o que talvez não seja comprovado e nós, mulheres, jamais vamos concordar com isso.


Para ele, a convulsão feminina está associada ao cosmos. Algo do tipo: quando Marte cruza com Júpiter na décima órbita, às 22:34, nos dias ímpares do ano bissexto, em que o ascendente de elemento água está com influência de Mercúrio. Ou pode haver uma outra explicação que requer uma pesquisa mais abrangente e na qual ele sugeriu me engajar. "Você pode escrever um livro sobre isso! Com certeza há alguma coisa que ninguém descobriu ainda". Não, pai, acho que não será o caso. Afinal, as mulheres são assim mesmo. Deve ser mais um caso de hormônios e uma mera coincidência.


Pensando bem, nas últimas semana me senti um tanto irritada, mas não surtei horrores, eu sou o quinto caso comprovado. O próximo e último da lista foi mera dedução. O trânsito era absurdo às 18 horas de terça-feira e uma moça parou o carro do nosso lado. Ela estava se derramando em lágrimas! Depois, pegou o celular e chorava mais ainda. Meu pai tem certeza que era um caso típico de convulsão feminina. Pra mim, ela tinha se perdido e não fazia a menor idéia de onde se encontrava, situação que me acontece com uma certa frequência. Caso você tenha vivenciado uma convulsão feminina por esses dias, dê um alô, quem sabe a teoria pode ser válida para um estudo mais detalhado.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Vergonha

A solidariedade tomou conta dos brasileiros nos últimos dias. A quantidade de doações para as vítimas das enchentes em Santa Catarina ultrapassou o esperado e já lotam os galpões, tanto que a Defesa Civil pede para que as pessoas doem agora apenas dinheiro, pois não há como estocar mais alimentos e roupas. Ela pede também alguns materiais cirúrgicos, como máscaras e luvas. As doações chegam de toneladas no Estado crucificado pelas chuvas dos últimos meses. Pessoas que não tinham o que comer e que perderam tudo da noite para o dia já podem contar com a ajuda de doações que chegam até de Belém.
Nos primeiros dias, os voluntários trabalhavam a todo vapor. Hoje, o número caiu bruscamente e não há pessoas suficientes para fazer a triagem do que está no depósito. Até um morador de rua participa separando roupas e alimentos para os flagelados. Mas, um problema maior surgiu esta semana. Pessoas que não tiveram suas casas arrastadas pelos deslizamentos, pessoas que moram em lugares que não foram atingidos pela enchente, pessoas que têm dinheiro e carro para comprar alimentos no mercado, pessoas que deveriam estar zelando pelo bem-estar de outros estão aproveitando as doações para benefício próprio.
Ontem, o Jornal Nacional, com uma câmera escondida, mostrou a falta de caráter de alguns brasileiros que estavam separando as melhores doações e pegando para si. Uma mulher encheu o porta-malas de seu carro com um carrinho de alimentos tirados do depósito. Uma senhora escolhia um tênis doado para o filho. Soldados do Exército encheram suas mochilas com roupas, sapatos, botas e até lingeries. Além do mais, brincaram com as doações, jogavam uns para os outros, deixavam as coisas fora do lugar e diziam que iam levar sutiãs de presente para a mãe e namorada. Saíram depois sem ajudar na triagem, sem fazer o mínimo esforço para ajudar a quem precisa, sem ao menos serem solidários. A única coisa que fizeram foi lotar as mochilas com objetos que seriam muito úteis a quem teve uma vida levada pelas chuvas. O que me resta é a vergonha de pertencer a mesma espécie que este tipo de gente.
Vejam mais detalhes no vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=rPyhmsVHH_Q

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Sapatada

Incrível mesmo foi a cena de George W. Bush levando uma sapatada em sua visita ao Iraque. Segundo a tradição muçulmana, jogar um sapato em uma pessoa é um dos piores insultos. Nada mais justo, já que o ex-presidente dos Estados Unidos destruiu a pátria do jornalista iraquiano. Logo depois do sapato, o jornalista ainda acrescentou a frase: "É o beijo de despedida, seu cachorro!". Pena que os sapatos não atingiram em cheio a testa de Bush. Apesar dos cabelos grisalhos, seu reflexo continua muito bom. Na verdade, ele merecia uma chuva de sapatos de todos os presentes em seu encontro com o primeiro-ministro do Iraque.
Para alegrar sua segunda-feira chuvosa, assista ao vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=aPypMsO5hMc

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Memórias

Ontem fui rever alguns amigos do colégio. Há anos eu conheço algumas das pessoas que estavam ali. Algumas estiveram na minha classe desde o maternal, outras desde o ginásio, alguns desde o colegial. Já acampamos, já jogamos queimada, já brigamos, já trocamos de estojo, já levamos bronca, já passamos cola na hora da prova. É engraçado como algumas coisas ficam na nossa lembrança, mais engraçado ainda é ver fotos daquela época. O melhor é perceber o quanto melhoramos! Tem dias que eu acordo com algumas dessas lembranças. Do nada elas surgem.
Hoje, por exemplo, acordei com a música que cantamos na formatura do pré na cabeça. Como pode? Isso faz, simplesmente, 18 anos! (Nossa, bateu até uma depressão depois de fazer essa conta). Acho que tivemos tantos ensaios, tivemos tanto que decorar as letras que eu acabo lembrando até hoje. Essa tembám foi uma das primeiras vezes que subi em um palco. Ficávamos em degraus e cantávamos umas cinco músicas. Depois, entrávamos com uma beca azul-claro, recebíamos um canudinho e um ursinho do Papai Noel que estava lá, nos esperando com a sacola cheia. O ursinho, eu tinha até uns anos atrás. Ele tinha o uniforme da escola, um chapéu de formando e um diploma na mão.
Em uma das músicas, só as meninas participavam. A gente tinha uma tiara de flores no cabelo e fazíamos até uma coreografia. Cantávamos uma música sobre flores, que não devíamos machucá-las. Depois, cantamos uma em inglês, depois uma sobre baleias, passarinho. Tudo muito bem produzido e ensaiado aos olhos de uma criança de 6 anos. O tema deveria ser a natureza porque tudo girava em torno. Uma delas eu encontrei na internet. E aqui vai a letra:
Filhote do Filhote (não faço a menor idéia de quem seja)
Moro numa linda bola azul
Que flutua pelo espaço
Tem floresta e bicho pra chuchu
Cachoeira, rio, riacho
Acho que é um barato
Andar no mato
Vendo o verde
Ouvindo o rock'n'roll e o sapo ensaiando
De manhã cedinho
Os passarinhos dão 'bom-dia' pro sol
Cantando
Terra, Leste, Oeste, Norte, Sul
Natureza caprichosa
Tem macado de bumbum azul
Tem o boto cor-de-rosaÁrvores, baleias, elefantes, curumins
E o mundo inteiro está com a gente vibrando
A nossa torcida pela vida a gente vai conseguir cantando
Cuida do jardim pra mim
Deixe a terra florescer
Pensa no filhote do filhote
Que ainda vai nascer
O pior é lembrar como você cantava e como realmente é a letra... Nada tem a ver. Como criança é criativa! Aliás, não só criança. Até hoje, eu canto "Tem gente dentro...", naquela famosa música do Jorge Ben, "Engenho de Dentro".

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O tempo acaba o ano, o mês e a hora

Luíz Vaz de Camões

O tempo acaba o ano, o mês e a hora,
A força, a arte, a manha, a fortaleza;
O tempo acaba a fama e a riqueza,
O tempo o mesmo tempo de si chora.

O tempo busca e acaba onde mora
Qualquer ingratidão, qualquer dureza;
Mas não pode acabar minha tristeza,
Enquanto não quiserdes vós, Senhora.

O tempo o claro dia torna escuro,
E o mais ledo prazer em choro triste;
O tempo, a tempestade em grã bonança.

Mas de abrandar o tempo estou seguro
O peito de diamante, onde consiste
A pena e o prazer desta esperança.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Tatu-bola


Debaixo do sol escaldante, descendo a ladeira com o salto plataforma fisgando a batata da perna, com o almoço indigesto no estômago por causa do calor, queríamos rolar como um tatu-bola. E por que não? Por que não conseguimos rolar quando estamos exaustos e cansados e pedindo só sombra e água fresca? Poderia não doer. Poderíamos simplesmente nos enrolar como tatu-bolas e chegar ao nosso destino.


Pensando agora nos tatu-bolas, eu acho que eles estão em extinção. Quando eu era pequena, vivia pegando tatu-bolas no quintal da minha vó. Bastava eu levantar uma pedra e eles apareciam aos montes. Também estavam nos jardins do prédio, nos vasos da escola e na casa de todo mundo. Hoje, ninguém mais vê tatu-bolas. Tudo bem que eu também não escavo mais a terra e nem fico brincando no jardim do prédio, mas mesmo assim, eles deixaram de existir.


Tenho saudades dos tatu-bolas, saudades das casinhas que eu fazia para eles e quando ia vê-los no dia seguinte, já tinham todos morrido. Saudades da aflição que eu sentia quando um deles desvirava-se e começava a andar pela minha mão, saudades dos pequeninhos, saudades do medo que eu sentia dos maiores. Enfim, saudades das coisas boas que só tínhamos quando crianças.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Eu recomendo - Filmes

Sabe aqueles dias em que você quer se afogar em um balde de chocolate? Ou aqueles que a sua cabeça lateja tanto que você quer arrancá-la do corpo? Ou então, nos dias em que você quer mandar seu namorado lá praquele lugar porque ele não consegue entender o que é TPM? Ou nos dias em que o mundo te irrita e que você chora com o comercial de margarina? Se essa é a sua situação, veja Alvin e os Esquilos.


A mistura de filme com desenho já te deixa com a certeza de que ninguém vai te enganar. O que você está vendo é fantasia e ponto. Não existem esquilos que falam. Não é o tipo de filme que o final é lindo, que você chora e que fica pensando "por que isso não acontece comigo?". Não. Esse filme não é pra isso. Ele não te deixa mais deprê do que você já está, ele não te faz chorar, ele não te deixa com raiva. Ele apenas te faz rir e te deixa exclamar alguns "Ahhhs", quando Theodore faz cara de dó. De resto, é bonitinho, gracioso, divertido e leve. Ideal para deixar sua mente livre, longe dos problemas.


Assista legendado, com certeza, as vozes se encaixam melhor aos personagens. Preste atenção nas coreografias. Ria com as travessuras dos três e se delicie com a carinha de Theodore.


segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Os cosplayers dos animes


Até ontem à noite, estava em dúvida qual seria o tema do meu post de hoje. É, às vezes, eu penso no que escrever no final de semana. Foi quando começou o quadro Central da Periferia, no Fantástico, com a Regina Casé. O tema do momento era qual a periferia é mais conectada à tecnologia. Ontem, ela estava em Fortaleza e mostrava como os jovens de lá são viciados em jogos em rede e adoram gastar suas horas livres nas lan houses. Até aí, tudo bem, se fosse só isso. Assim que ela entrou na lan house, todos estavam fantasiados, parecia uma festa, mas não tinha nenhuma fantasia conhecida, ou aquelas mais comuns de bruxa, fadinha, cigana ou pirata, eles vestiam as roupas de seus heróis dos games japoneses, ou animes.


Cada um tinha a fantasia idêntica ao personagem e além de tudo, interpretavam-no. Descobri que esses são os "cosplayers" (tive que dar uma busca no google), pessoas que não se contentam apenas em jogar, mas querem incorporar seu personagem. A "moda" veio do Japão, claro, que está se tornando cada vez mais um ponto de referência cultural para os jovens de todo o mundo. os cearenses da matéria possuíam mais de uma fantasia e uma das meninas fazia dinheiro com isso, ela costurava e vendia as fantasias.


Ao final da matéria, Regina Casé fez uma interação entre uma cosplayer de São Paulo e a de Fortaleza. A menina de São Paulo, com seus cabelos rosas e lentes de contato vermelhas, disse que tem mais de 50 fantasias, mas que teve que aprender a costurar para bancar seu vício. Já em Fortaleza, alguns cosplayers aprenderam a falar japonês, de tanto que gostam da brincadeira. Uma delas disse que o último evento que teve do tipo na cidade contou com mais de 40 mil pessoas, é como se fosse uma feira, em que alguns vão fantasiados de seus personagens. A menina abriu seu armário e nos mostrou as fantasias feitas por ela e pela avó. A única reconhecível por mim foi a de Uni, o unicórnio do desenho de infância "A Caverna do Dragão". Você deve estar se perguntando por que eu escrevi "jovens" até agora ao invés de crianças? Porque são jovens mesmo, 15, 16, 17, 18, 19, 20 anos. E se você está esperando alguma reflexão sobre o assunto, desta vez, as palavras me faltam. Deixo para vocês tirarem suas próprias conclusões.


quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Pichar é crime

Arte é um conceito muito relativo. Acabei de ler que pichar pode ser uma "intervenção artística" ou um meio de "terrorismo poético". Destruir um patrimônio não tem nada de poético nem de artístico. As definições vieram por conta do caso da pichadora presa por pintar uma parede da Bienal. Para alguns artistas, defensores da estudante gaúcha, o espaço vazio era um convite à manifestação e contravenção, em outras palavras, cada um poderia fazer o que quisesse (como foi o caso do peladão). Concordo que, se o espaço era para isso, a garota tinha sim o direito de pichar, mas se não era, o que ela fez foi crime. Não cabe a mim discutir esse fato específico porque não fui à Bienal e nem sei qual era sua proposta, não sei o que fizeram, só li sobre fatos isolados.
O que discordo plenamente é o fato de pichação ser considerada uma arte. Para mim, não há outro significado para isso além de vandalismo. Pichação é vandalismo e destruição do patrimônio, seja ele público ou privado. Grafite é diferente. O grafite pode colorir a cidade, dar uma cara mais alegre aos túneis escuros e sujos, passar uma mensagem em um muro de uma escola, criar um ponto de referência e levar um pouco de cultura aos cidadãos, como nas reproduções de quadros de artistas famosos no túnel da Avenida Paulista. As reproduções já não são mais visíveis, o tempo deteriorou-as e os pichadores ficaram encarregados de estragar o resto.
Pichar nada mais é do que marcar com letras ilegíveis um local, dizer que o seu grupo, a sua tribo ou sei lá o quê passaram por ali, que você e os seus dominam aquela área, em outras palavras, 'Eu sou mesmo um marginal". Para se manifestar você não precisa danificar, quebrar, nem prejudicar alguém. É possível dar inúmeros exemplos. Na Bienal mesmo, no mesmo espaço pichado, outros grupos tiveram a sua vez. Alguns colaram adesivos no pilares (uma forma bem menos agressiva do que a pichação e até dão um toque especial nos faróis da Paulista), outros promoveram um flash-mob, que são, segundo a Wikipédia, aglomerações instantâneas de pessoas em um local público que depois de fazer uma determinada ação previamente combinada se dispersam tão rápido quanto se reuniram.
Isso é se manifestar, isso é expressar uma opinião. Não pichar, não estragar a fachada de uma casa, nem pintar o último andar de um prédio público. Quer gritar bem alto que você é o dono do pedaço? Faz um panfleto, contrata um carro de som, bota uma melancia na cabeça, fica agindo como louco no meio da rua que todo mundo vai te notar, mas não destrua e não suje a cidade. É por isso que eu penso que a menina da Bienal pode até estar certa em se manifestar naquele espaço, mas, por outro lado, fizeram muito bem em prendê-la. Afinal, é um pichador a menos solto e uma chance a mais de ter a cidade limpa.
Para ver um flash-mob, acesse http://www.youtube.com/watch?v=jwMj3PJDxuo
Para saber mais sobre a pichação na Bienal: http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2008/12/04/ult5772u1973.jhtm

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Cadê minha inteligência?

Qual é o auge da nossa inteligência? Se eu paro para pensar nessa pergunta, acredito que o meu já tenha passado. Ou também que ser inteligente é muito relativo. Hoje, eu preciso de uma calculadora para fazer 57 + 28, na escola, eu fazia quase instantaneamente. No colégio, eu sabia a história completa do nascimento dos Estados Unidos e da Guerra do Paraguai. Sabia que aa com aa só podia dar aa (tudo bem, essa é fácil e eu sei até hoje), sabia a hidrografia do Maranhão e quais os Estados brasileiros faziam cultivo da cana de açúcar. Sabia todos os componentes da mitocôndria e quais suas funções, sabia que se misturássemos prata mais sulfato de dióxido de carbono dava sei lá o quê. Sabia fazer equações que ocupavam folhas e mais folhas, sabia Báscara! Sabia as regras de acentuação de uma oxítona e sabia quais os tipos de predicado, sabia o que era o trovadorismo. Poucas coisas que aprendi na escola e no colegial ficaram na memória, em relação aos estudos, claro. A regra da crase é uma delas. Vou compartilhar com vocês: "Vou à, volto da, crase vou usar. Vou a, volto de, crase pra quê". Ou seja, Volto da França, então vou à França, com crase. Volto de Salvador, então vou a Salvador, sem crase. Essa é muito de Professor Pasquale.
Enfim, na faculdade, aprendi mais a encher linguiça nas pouquíssimas provas que tive. Talvez a minha escolha de carreira tenha me emburrecido em certos aspectos. Tínhamos que escrever bonito nas provas de Filosofia e Antropologia. Depois, tínhamos que analisar bastante na Semiótica e interpretar os mais diferentes autores na Teoria da Comunicação. Se a resposta tinha que ser exata, não era problema deixar uma folha embaixo da prova com o gabarito. Se o trabalho era em grupo, a internet fazia a maior parte. Se era preciso escrever uma reportagem, dava asas à imaginação. Poucas foram aquelas feitas na não-ficção. À esta altura, eu já não sabia mais fazer contas, não sabia o que era a Revolução Farroupilha e nem quais são os órgãos do sistema digestivo.
Por isso, acho que emburreci na faculdade. Contentava-me com notas para passar. Um sete era ótimo. Um cinco também, passava, afinal. No primeiro ano, essas notas me incomodavam. Nossa, eu sempre ia muito bem na escola. Ganhei bolsa por ser melhor aluna, tomei café-da-manhã com meus pais e a diretora e uma vez, ganhei uma medalha bonita em uma cerimônia. Um sete era uma tragédia no colégio. Um sete, passou a ser um simples sete na faculdade. E se eu não tinha estudado muito então, um sete era uma alegria. A percepção tinha sido completamente alterada. Claro que aprendi a escrever melhor, a analisar melhor, a criar melhor também. Tudo, na teoria, deveria ser importante para minha carreira, mas, claro, que na prática é tudo bem diferente.
Depois de tudo, o que levamos para a vida mesmo do que aprendemos estudando é muito pouco. Quando era útil, a gente sabia. Quando paramos de usar, perdemos. Há as aulas marcantes, como aquela que tivemos que trazer músicas da época da ditadura ou aquela em que o tema do seminário era "O diabo existe?" e entramos na sala ao som do "Xô, Satanás". Mas, as que realmente vão ficar pra sempre são aquelas que aprendemos para a vida ou a que nos divertimos tanto (como no dia em que uma querida amiga derrubou o chá gelado da Prof. Silvia Suada inteiro na mesa) que será difícil perdermos por simples falta de uso.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Ops, esqueci meu vestido em casa

O dia estava perfeito, o calor agradável, as pessoas não se reuniam há um tempo já, o japonês estava solitário desde 4 da tarde, as frequentadoras se esqueceram de uma parte dos vestidos em casa. O bar estava cheio de são-paulinos endoidecidos, talvez nem o dia nem o local fossem ideais para um amigo secreto, mas eu sempre penso que o que vale é a companhia. A turma demorou para se reunir, o passatempo era olhar e desacreditar nas roupas das distintas moças que desfilavam pelo bar, podia-se observar à vontade sutiãs de onça, decotes até o umbigo, celulites nas pernas nuas e contornos de roupas coladas. Os homens estavam mais interessados no jogo, será que esse era o motivo de tanta falta de pudor? Uma das questões da mesa logo após a chegada de uma de nós, que achava que seu vestido estava muito curto quando saiu de casa (ele mais parecia uma burca perto dos das piriguetes), foi como os pais deixavam as distintas moças saírem de casa daquela maneira. Conclusão: não tinham família ou viviam em um lar completamente desestruturado.


O sufoco para conseguir a mesa foi pouco, o sufoco de quem chegou por volta das 6 e depois foi para entrar no bar, as cadeiras eram um sufoco para se conseguir, o banheiro era o próprio sufoco. Depois de algumas bundadas na cara, depois das piriguetes invadirem a mesa do japa solitário, depois dos uivos ensandecidos pelo jogo, chegaram todas. Quando a hora de trocar os presentes se aproximava, a tensão e vergonha por parte de algumas estava clara de se notar, outras se arrependiam de escolher o bar como ponto de encontro. Afinal, não era uma reunião normal de amigas, íamos trocar presentes, presentes que nada mais eram do que....calcinhas! Literalmente, era expor sua intimidade diante de milhares de piriguetes e bombadinhos de cabeça vazia. Tudo transcorreu sem maiores problemas. Quase ninguém nos notou na mesa estrategicamente posicionada no cantinho, a não ser o japa solitário e seus convidados que acabavam de chegar.


Brincadeiras, risadas, fofocas e ótimas companhias. O encontro foi muito bom, para fechar com chave de ouro um waffle gigante no Joakin's. Agora, fazendo uma pequena crítica, não às minhas amigas, claro, mas aos milhares de mulheres que se submetem ao ridículo para serem notadas. O bar era o São Bento do Itaim, um dos lugares que estão no auge da existência nos dias de hoje, o público, arrumadinho, ricos ou que se passam por, que têm profunda adoração pelo corpo e precisam ser vistos e notados pela sociedade. Sociedade que permite que esse tipo de gente tenha tanto destaque e importância. O que leva uma tia a fazer bronzeamento artificial, tingir o cabelo de loiro branco, colocar botox nos lábios, ficar anoxérica um pouco malhada, encher os seios com milhões de mililitros de silicone e usar um vestido que a deixava mais exposta do que a Globeleza? O que um homem com só um pouquinho de cérebro pensa dessa mulher? Que ela vai dar fácil para ele e que ele nem vai precisar ligar no dia seguinte. Será que é só isso que ela procura? Será que ela não consegue se olhar no espelho e pensar: "assim não, estou parecendo uma vagabunda". Ou será que ela pensa: "legal, estou parecendo uma vagabunda". Qual dos fortinhos com cabelos espetados, óculos escuros e tentando ser fashions conseguiram levá-la para cama a noite passada?

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Um fim de tarde no PS

Fiquei doente. Sintomas típicos de virose, mas só para ter certeza, fui ao pronto-socorro ouvir da boca de um médico japa com nome francês. Ele perguntou se eu tinha viajado recentemente, sim, fui para a praia no feriado, ele também pelo jeito, já que estava com a testa em carne viva, o rosto descascando e o braço vermelho ardido. Depois perguntou se estava com pressa, se podíamos fazer um exame de sangue, vou dizer que não? Lá fui eu tomar um sorinho com dipirona e colher o sangue. Resultado: um furo em cada braço. Duas horas para saber se era dengue ou infecção.
Enquanto isso, fiquei com meu pai na sala de espera com muitos outros pacientes, pois agora eles são fáceis de ser identificados, estávamos com pulseirinhas tipo de balada, coloridas que indicavam alguma coisa que até agora não entendi. A minha era verde, a maioria tinha uma verde, acho que eram os casos mais leves. As azuis eram para consultas, alguns tinham duas! Tomando soro, um rapaz tinha uma branca, acho que ele já tinha morrido. Macas entravam com acidentados, o marido grosso discutia com a mulher com a filhinha no colo. Na TV, o sensacionalismo da Record mostrava uma denúncia. O caso chamou atenção de quem estava lá à toa esperando o atendimento.
Uma vizinha filmara a filha e o neto maltratando a mãe/avó idosa. Claro que as cenas foram mostradas e foi mais chocante do que os desabrigados em Santa Catarina (não menosprezando o acontecimento). A mãe dava socos no rosto da velhinha, magra, quase esquelética, cabelos todos branquinhos, deitada, sem se movimentar. Depois, a puxava pelos cabelos. O neto a levantava pelos braços, sem o menor cuidado. As agressões arrancaram exclamações da platéia aflita, a indignação tomou conta de todos que estavam por lá, uma angústia, uma vontade de torturá-los (juntamente com os malditos chineses das fazendas de peles). Como é possível alguém tratar dessa maneira uma pessoa indefesa? Como a própria mãe pode tratar dessa forma a filha? Como um neto pode bater na avó? Eu e a platéia desacreditávamos. O FDP (com o perdão da palavra) ainda teve coragem de ameaçar a vizinha delatora. Esse tipo de gente é que merece sofrer, assim como o júri especial que absolveu o promotor Thales, notícia seguinte que também arrancou uma indignação de uma espectadora: "Vai a gente matar, né?".
Para cessar as tragédias do dia, o resultado do exame. O japa francês olha, olha, e diz: ''É, está bem normal". Mas então, o que é? "Um quadro típico de virose". Ah, jura? "Eu receito dipirona, caso tenha febre." E eu receito pro doutor, filtro solar 30 fps, na próxima exposição ao sol.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Eu recomendo - Livros


Como seria a cabeça de uma criança enquanto Hitler reinava sobre a Alemanha e eliminava centenas de judeus? Elas brincavam de quê? Elas sabiam quem eram os judeus, sabiam que eram diferentes? Com nove anos de idade, você saberia fazer essa distinção? Você veria a diferença através de olhos tão ingênuos e infantis?




Bruno viveu naquela época, teve pais nazistas e conviveu diariamente com a guerra, mesmo sem saber. Sua ingenuidade permitia ver além da raça. Seus sentimentos permitiam transcender ao preconceito. Seu caráter permitia ver a essência do ser humano. Nem a cerca o impedia de conversar com o menino de pijamas listrados.




Se todos aqueles que um dia declararam guerra a um povo ou a um país tivessem o coração de uma criança, o mundo seria cor-de-rosa. Não precisaríamos de símbolos de paz e nem bandeiras brancas de trégua. Arrependa-se de ter perdido sua ingenuidade lendo "O Menino do Pijama Listrado", de John Boyne, antes que o filme chegue ao Brasil e você não possa imaginar essa brilhante história de pessoas que não viveram para contá-la com suas próprias palavras.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Suicídio online

Hoje, uma notícia me chamou a atenção na internet "Suicídio visto ao vivo pela internet provoca debate". Não entendi o que era e resolvi ler o conteúdo. A reportagem é do New York Times e um pouco mal traduzida para o português, já que está bem confusa para se entender na primeira leitura. Era uma vez um garoto, que frequentava uma comunidade online, uma espécia de fórum, em que todos podiam escrever suas opiniões. Com seus 19 anos, já tinha dúvidas e problemas e preferiu compartilhá-los com outros internautas ao invés de procurar ajuda. Em uma de suas postagens disse que queria se matar e descreveu o que usaria para acabar com a própria vida. Os demais participantes da comunidade o incentivaram, o que resultou em um vídeo ao vivo com a morte do garoto, visto em tempo real por alguns internautas.
Quando perceberam que o garoto realmente morria, alguns chamaram a polícia, outros mandaram mensagens para o site pedindo para repetir o vídeo, outros gargalhavam. Segundo a polícia da Flórida, quando o corpo foi descoberto, 700 pessoas assistiam ao vídeo. Claro que eu fiquei curiosa e o procurei na internet, mas a pesquisa só retornou notícias, tributos ou opiniões sobre o assunto. O que leva uma pessoa a querer se matar pela internet? Seria a esperança de alguém o socorrer antes da morte? Essa é a questão abordada pela notícia que acabei de ler. Um professor dizia que essa foi a maneira que o jovem encontrou de pedir ajuda. Mas pra quem? Pra um bando de desconhecidos que nem diz seu verdadeiro nome na internet?
Os pais disseram que o jovem sofria de bipolaridade e que tomava remédios antidepressivos. Se, realmente, esse era o diagnóstico, porque os pais já não monitoravam o que o garoto fazia na internet? Afinal, os internautas que o viram morrer têm culpa de não terem chamado a polícia antes? Eu acredito que não. Claro que eu prestaria socorro a um desconhecido, mas quem garantia que ele não estava fingindo, já que a maioria do que passa pela web é falso?

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Cala-te


Mar de ondas bravas gela a pele quente pelo sol
A areia queima embaixo dos pés cansados da caminhada
O vento vira guarda-sóis e grãos batem no corpo
Nuvens dão trégua para o sol acima da cabeça já perturbada

Rajadas levam a paz não prolongada
E cliques não querem registrar a lembrança do momento
A cabeça gira com os sons ao redor
Das frases atiradas ao vento

Perder a chance de se calar
Expondo a quase verdade
Arrepender-se quase instantâneamente
Do acontecimento que se perde na eternidade

O que resta é o silêncio
Tão presente na insuportável consciência
E o desejo de que um dia o vento apagará
A loucura do ser sem clemência





terça-feira, 18 de novembro de 2008

Eu recomendo - Teatro

Rir faz bem para a alma, rir relaxa e nos faz esquecer de todos os problemas. Foi no domingo à noite que rimos sem parar. A peça se chama "Jogando no Quintal" e mais do que uma peça, é uma palhaçada do início ao fim. Os atores são palhaços, as interpretações são improvisadas e o roteiro quem manda é a platéia.
A trupe está há 6 anos em cartaz e tudo começou com a improvisação no quintal de um deles. Hoje, eles deixam o teatro lotado e a sensação de quero mais. A duração da peça nunca é exata, depende do público, das brincadeiras, dos alvos, nesse domingo ficamos 3 horas por lá, mas que pareciam 30 minutos, o que é bom, sempre passa mais rápido.
O palco é um campo de futebol, e a platéia fica disposta em arquibancadas, como em um estádio mesmo, então, em qualquer lugar que sentar, você verá tudo. São dois times de 3, o azul e o laranja, o placar anuncia quem está ganhando, o árbitro comanda o jogo e a ola pela platéia, os capitães estão entre os espectadores, você é quem decide quem vai ganhar e uma banda improvisa também as músicas ao decorrer da partida.
Não vou contar mais porque perderá a graça para aqueles que não foram. Só digo uma coisa, é diversão na certa. Para quem ainda está na dúvida, acesse o You Tube e procure por eles, quem sabe nos encontramos na próxima partida, porque, com certeza, vou querer dar mais um pouquinho de risada.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Ociosidade

O ócio pode ser uma coisa boa, às vezes. Tem dias que a gente gosta de ficar à toa, não há nada mais gostoso do que ficar na praia, na piscina, tomando sol, deitada na cama olhando para o teto por alguns minutos, ir mudando de canal na TV sem procurar exatamente alguma coisa ou até parar no Discovery Channel para te dar uma pouquinho de sono. A ociosidade é boa quando estamos no lugar ideal para ela se espalhar, caso contrário, ela é terrível.
É terrível quando estamos na frente do computador e já entramos em todos os sites possíveis, lemos todos os e-mails e não há mais nada para fazer. Para ajudar, dez minutos parecem durar 30, trinta parecem durar uma hora e assim por diante. O relógio está lá, na nossa frente e não há meio de fazê-lo andar mais rápido. Nessas horas, a gente imagina o sofá, a TV, a cama e o edredon, mas eles estão tão fora do alcance...
O corpo cansado pára de te obedecer, as pálpebras pesam, as letrinhas na tela começam a embaralhar, os olhos vão fechando devagarinho e logo logo, estamos pescando, pescando....zzzzzz.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Malucos

É, definitivamente, só tem malucos no mundo. Tem aqueles que são por opção, tem que aqueles que viraram por conta das circunstâncias e aqueles que já nasceram assim. Acabei de ler sobre um maluco por opção. É o tal do peladão da Bienal. Lá está ele, todos esses dias fazendo sua performance, completamente nu. Nu mesmo, de verdade.
Além de estar nu, que já é uma maluquice, ele não tem comida, nem roupas e deve dormir no Pavilhão da Bienal e tomar banho por lá mesmo enquanto durar a exposição. Conhecidos e funcionários do local não podem dar comida nem roupas, as doações só podem vir dos desconhecidos que passam por lá. Sua primeira doação foi uma garrafa de água, depois uma caixinha de Tic Tac, uma camiseta e por fim um maluco de nascença levou uma torta de palmito, mais uma camiseta e um amigo imaginário, feito de papel. Segundo o doador, o boneco representa um coletivo artístico do qual o jovem faz parte.
Enfim, cada louco com a sua mania. Uma das loucas que ficou assim pela situação, mora na minha rua. Na verdade, ela mora pelo bairro. É uma moradora de rua que carrega quantas sacolas ela pode suportar, ela tem a perna enfaixada e anda com quilos de sacolas por aí. O que tem dentro delas, nunca ninguém vai saber. Disseram que ela tem família, que já vieram procurá-la para levá-la pra casa, mas que ela não quer saber e que se você dá dinheiro para ela, ela rasga inteirinho. Dessa eu até tenho uma certa pena, vai saber porque ela enlouqueceu.
Se quiser saber um pouco mais sobre as loucuras do peladão, acesse: http://diversao.uol.com.br/arte/bienal/ultnot/2008/11/04/ult6000u11.jhtm

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

A melancolia do adeus

Nós sempre escutamos que as mudanças vêm para o bem e que trazem uma renovação para a alma. Concordo plenamente, acho que as mudanças têm essa característica positiva por si só, porém a mudança é incômoda, desconfortável. É quando saimos da nossa zona de conforto para algo novo e o novo assusta. As mudanças podem ser consequencias de escolhas que fazemos. Escolhas nada simples. Por que precisamos escolher afinal?



A escolha dói e muitas vezes não era bem esse rumo que gostaríamos de tomar. Outro dia, li uma frase muito boa de um escritor francês, Anatole France, que diz o seguinte: "Todas as mudanças, mesmo as mais esperadas, trazem melancolia, pois deixamos para trás uma parte de nós". Não tenho uma super experiência de vida para dizer que essa frase se encaixou muitas vezes na minha vida, mas há ocasiões em que ela é a ideal para o momento, como quando nos formamos ou quando saimos do colégio. Fica mesmo uma parte de nós, assim como ficam os momentos inesquecíveis.



E hoje, o que eu sinto é a melancolia de uma parte de mim deixada para trás. Uma escolha difícil, porém inevitável (às vezes, temos que levar a dignidade em conta). Uma mudança de uma fase que durou 8 anos, de um lugar que eu poderia chamar de casa, com pessoas que fizeram parte da minha vida e de algumas que ainda fazem. Uma escolha que nunca passou pela minha vida tomar, mas que precisou já que o equilíbrio foi quebrado. Uma mudança que dói no coração, mas que, com certeza, trará amadurecimento e deixará intactas lembranças de momentos bem vividos. Adeus, Casa da Dança.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Ali na esquina

Na madrugada de segunda para terça, uma mulher coreana, 54 anos, foi baleada na nuca, em um cruzamento da Avenida Tiradentes. Nada foi roubado e seu corpo continua no IML à espera de algum parente. O irmão da mulher foi contatado, porém não falava com a irmã fazia 3 meses. Ninguém pôde informar em que a mulher trabalhava. Essa foi uma das notícias de ontem, entre tantas outras sobre mortes, roubos, desaparecimentos. Seria mais uma, se não fosse pelo fato de que se passou em um lugar que eu passo todo dia.
Sabemos sempre que acontecem crimes na cidade, afinal, os noticiários só televisionam isso e as páginas do cotidiano dos jornais vivem cheias de tragédias. Mas quando algum desses acontecimentos cruzam a nossa rotina, damos mais importância, ficamos mais preocupados e até nos impressionamos mais. Eles perturbam nossa ordem e tranquilidade.
Assim foi como aconteceu com Gil Rugai. Em um belo dia, eu acordo e descubro que na Rua Atibaia, aquela em que falávamos na escola: "Te pega na Rua Atibaia, na saída", depois de algum desentendimento durante o recreio. Quantas brigas já não foram marcadas na Rua Atibaia! E foi justamente lá, que o filho matou o pai e a madrasta, em plena madrugada. Nessa época, eu já tinha saído da escola, mas fiquei imaginando o tempo todo como teria sido interessante se eu ainda fosse aluna de lá. Estaríamos todos grudados na grade, com os pés na terra, olhando para os carros da TV e os repórteres em frenesi na frente da casa branca.
Hoje, ainda havia cones no tal cruzamento da Avenida Tiradentes. Hoje, haverá sei lá mais quantos mortos nas notícias do dia. Quantos deles poderão ter acontecido em lugares que frequentamos? Quantos deles poderão ter acontecido minutos depois que passarmos por lá?

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Eu acredito

Hoje eu vi Papai Noel. Lá estava ele, barrigudo, barba branca, cabelo branquinhos, olhos miúdos e azuis, sentado no assento reservado aos idosos no metrô. Estava disfarçado, claro, ainda nem chegamos em dezembro, seus olhos cansados demonstravam o cansaço vivido nesses dias, em suas unhas sujas podia-se ver que trabalhou pesado para carregar o presente da população mundial.
Lembro-me de quando descobri que o bom velhinho era apenas uma lenda de criancinhas. Eu tinha 5 anos e já ouvia histórias da desconfiança, mas nunca tive evidências de que ele não existia mesmo. Na época minha mãe tinha uma Ipanema, acho, era um daqueles carros com o "chiqueirinho" atrás, aonde as crianças adoravam andar. E a tampa do porta-malas era de correr. O Natal já estava próximo e estávamos no carro, eu no banco de trás, quando tive a brilhante idéia de brincar lá trás. Abri a tampa e qual foi a minha surpresa?? Lá estava a boneca que eu tinha pedido pro Papai Noel. Não chorei, não fiz escândalo, não lamentei, só confirmei a desconfiança.
Hoje, eu gostaria de ter acreditado por mais tempo. Gostaria de ter escrito mais cartinhas e colocada na sacado do meu apartamento. Sempre tive a certeza de que ele ia pegá-las. Atualmente, as crianças são mais espertas, mais difíceis de serem enganadas, como fazê-las acreditar em Papai Noel? Simples, acreditando também. Talvez ele não tenha aquela barba branca, nem um cinto reluzente em cima da barriga coberta de roupa vermelha, talvez ele não tenha renas e nem as faça voar. Mas, com certeza, é ele quem espalha a bondade pelos corações das pessoas nesta época e é ele quem tenta fazer melhor o Natal de quem não pode comprar nem um pedaço de pão para a ceia. Por isso, eu acredito em Papai Noel.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Não é bola de cristal

Não, não somos sensitivas. Não, não sabemos ler as cartas, não temos bola de cristal e nem adivinhamos a sorte. Não traçamos o futuro através dos astros e nem adivinhamos pelas linhas da palma da mão. Apenas sentimos. Toda mulher tem uma certa intuição, um feeling, um "algo me diz", um sexto sentido. Segundo o espiritismo, o sexto sentido é representado por um órgão no corpo humano, a epífise, uma glândula situada perto do cérebro. Não acredito que seja para tanto, nem quero dizer que todas as mulheres são médiuns.
Elas sabem do que estou falando. Se você é homem, esqueça, você nunca entenderá. Nós, mulheres, sentimos, ficamos com a pulga atrás da orelha e com o pé atrás. Percebemos que algo não está certo, que algo deve ser mudado, que há alguma coisa incomodando. Já tive meus momentos de "vidente" e poucas vezes me enganei em relação ao que sentia. Fica uma angústia, um aperto no peito, um incômodo na alma que a gente até consegue disfarçar, mas não conseguimos enganar a nós mesmas. Não sei porque as mulheres são assim. Talvez seja pelo fato de sermos mãe, de gerar alguém dentro de nós. Vai que há uma ligação cósmica mais profunda nisso do que cientistas e pesquisadores já puderam desvendar.
Às vezes, conseguimos ter a certeza absoluta e comprovada pelos outros cinco sentidos do corpo, às vezes não. Às vezes, o que estava incomodando passa, às vezes é o tempo que o faz desaparecer. Não temos evidência do porquê sentimos, não conseguimos explicar, só nós sabemos, só nós entendemos. Se você, mulher, está lendo isto, sabe muito bem do que eu estou falando.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

É pique, é pique

"Hoje o tempo voa, Amor". Sábio Lulu Santos, que já cantava isso em uma época que eu não sentia o tempo escorrer pelas mãos. Um dia a gente acorda e tem 10 anos, no outro, 24. Parece que foi ontem a formatura da faculdade, a fila na escadaria do teatro para tirar foto, a beca alugada e a foto de "Procurada" para te identificarem no meio da festa. Parece que faz uns 5 anos que eu peguei escondido a roupa da minha mãe, levei pra escola e cantei "Maria, Maria" no dia dela. Parece que faz um mês que alagamos o colégio no terceiro colegial nos últimos dias de aula com uma bexiga gigante de balas, mas ao invés de balas, tinha água com sabão. Nem parece que já se passaram quase 3 anos do nosso primeiro beijo.
Sempre gostei de fazer aniversários, comemorar com os amigos, com a família, fazer festa, cantar parabéns. Este ano, a vontade foi menor. Ruim o sentimento. Será que vamos crescendo e perdemos a vontade de celebrar mais um ano de nossas vidas? Será que, um dia, fazer aniversário vai significar depressão? Tenho amigas que já pensam assim. Não gostaria de me tornar uma delas. Comemorar é relembrar tudo o que nos aconteceu durante o último ano, é rir das coisas bobas que já fizemos, é adicionar mais experiências em nossa bagagem. Mas, e se, quando você olha pro último ano, não consegue ver tantas experiências, não consegue rir de tantas trapalhadas e nem explodir com as lembranças dos bons momentos? E se, no último ano, a nossa vida não foi vivida com a intensidade desejada?
O jeito é levantar a cabeça e tentar fazer de novo no seu próximo ano de vida. De novo não, melhor. Melhor e mais, para que da próxima vez que apagar as velinhas não haja dúvidas de que mais um ano foi bem vivido. Como foi o meu último? Eu diria que de 0 a 10, minha nota é 6, mas passarei o dia de amanhã com o pensamento de que daqui a um ano será um dez. Quem sabe não seja esse o meu pedido na hora de cortar o bolo.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Catarina


Este é o meu quinquagésimo post do blog. Poderia escrever algo falando disso, quantas palavras já escrevi até hoje ou quanto tempo gastei com textos perdidos na minha mente. Poderia escrever sobre a vitória do Obama (afinal, estava torcendo por ele) ou poderia simplesmente escrever sobre o maluco pelado que está "exposto"na Bienal. Mas, hoje, meu ambiente de trabalho gira em torno de uma outra notícia, nem um pouco relevante para o mundo, mas de extrema importância para as poucas pessoas que estão ao meu redor no momento.


Ontem, no capítulo de A Favorita, Catarina ouviu a revelação de Stela sobre ela ser homossexual. Uma cena comprida, de 9 minutos e com uma audiência lá no alto. Calma, não é isso o importante. Não temos nenhuma lésbica aqui na fábrica, ou se há, não sabemos. E nem temos a receita do bolo de chocolate que elas comiam durante a cena (afinal, ele parecia delicioso). O que aconteceu é que Catarina vestia uma camisa da TODA! Sim, aquela camisa toda florida, roxa e amarela, fomos nós que fizemos! Não, eu não sei costurar um botão, mas estava envolvida no processo como um todo...




Para saber mais sobre a TODA: www.todatoda.com.br

terça-feira, 4 de novembro de 2008

São Paulo da garoa, São Paulo que terra boa

São Paulo está entre as quatro cidades mais cortezes do mundo, segundo uma pesquisa realizada pela Revista Reader's Digest. Nossa cidade concorreu com mais 35 espalhadas pelo mundo e os testes foram realizados por repórteres à paisana. Eles entraram atrás de alguém em um edifício para saber se alguém segurava a porta, compraram algo de pequeno valor para saber se o vendedor agradeceria pela compra e deixaram cair papéis em um local movimentado para saber se alguém os ajudariam a recolher.


O teste foi repetido 20 vezes e São Paulo ficou na frente de cidades como Nova Iorque, Zurique e Toronto. Nos últimos lugares ficaram as cidades do Oriente. Na minha primeira e única ida a Nova Iorque tive minhas experiências com o povo mal-educado do local, são lojistas, taxistas e balconistas. Não importa se você está comprando, eles te tratam como um turista medíocre e mal te olham na cara. A comunidade coreana no Bom Retiro também é bastante grossa e com um humor que dá até medo de chegar perto, devem refletir a sua própria cultura.


Já São Paulo não me passa essa impressão de cortesia, como colocada pela revista. Poucos já me seguraram a porta, poucos me agradeceram e poucos me ajudaram em qualquer situação. Raros são aqueles que se levantam para um idoso se sentar no metrô. Muitos são os que jogam papéis no chão e pela janela do carro. Poucas são as vendedoras que sorriem ao te atenderem e dizem obrigada quando você experimenta tudo, mas não leva nada da loja. São Paulo tem, claro, seus pontos positivos, mas infelizmente a cultura brasileira não permite que nossa cidade seja uma das mais cortezes do mundo. Acredito que os repórteres tiveram apenas um pouco de sorte.


segunda-feira, 3 de novembro de 2008

O mundo mágico dos livros

Hoje, pela primeira vez, comprei um livro pela internet. Sou um pouco contrária a esse sistema, não acho legal procurar livros para comprar na internet, você vê a capa, quando dá, lê a sinopse e pronto, clica em comprar e acabou. Comprar um livro requer todo um ritual, a começar pelo clima da livraria. Toda livraria tem um ar diferente, uma atmosfera envolvente que te faz sentir bem e esquecer dos problemas que ficaram lá fora.
É preciso pegar no livro e sentir a energia dele, ver, ler um pedacinho, cheirar, virar de cabeça pra baixo, sentir o peso, pegar e devolver na estante quantas vezes for necessário. Podemos conhecer os mais vendidos, os mais caros, os da promoção, os que a gente sonha em comprar, mas sempre fica pra depois. Corredores e mais corredores de livros, uma hora é pouco para percorrê-los. E os sebos, então? Livros empilhados, cheiro de páginas amareladas, ao mesmo tempo em que não se encontra nada, se encontra tudo.
Só fiz minha compra online porque aonde trabalho não há uma mísera livraria por perto e já sabia qual iria comprar. Do contrário, estaria lá, viajando, imaginando o começo, meio e fim de cada capítulo, escolhendo a capa mais bonita e o título mais criativo. Estaria deixando de lado por alguns minutos o mundo real e entrando nas mágicas histórias dos livros.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

No videogame


Para se levar menos tempo do caminho casa-trabalho-casa, fazemos o possível e o impossível. E daí que a estação 1 é mais vazia, os bancos sempre estão vagos, as pessoas são mais educadas, mas ela demora 20 minutos a mais do que a estação 2, que é por onde eu estou indo ultimamente. (Eu e o metrô, de novo). Acredito que ela esteja no ranking das mais lotadas de São Paulo, já que o metrô transporta 3,3 milhões de pessoas por dia.


Preciso subir duas rampas para alcançar o embarque. Hoje, não foi a primeira vez de ter a sensação de participar de uma corrida de obstáculos, e eles são inúmeros e dos mais diversificados: morenos, loiras, grávidas, crianças, freaks, rastafaris, vendedoras do shopping, médicos, diaristas, recém-nascidos, negros, doentes. Todos compõem a cara da multidão.


A quantidade que sai do metrô para a rua é infinitamente maior do que a entra por ali, por isso a sensação de você ter que ultrapassar barreiras para chegar ao seu destino. Uma definição mais apropriada do que a corrida de obstáculos é videogame. Isso mesmo, parece que você está dentro de um videogame, em que você é o mocinho escolhido pelo jogador e que todos aqueles rostos são uma selva da qual você precisa escapar. Se esbarrar em alguém perde metade da vida. Imagine o malabarismo que é preciso ser feito para não encostar na multidão e chegar ileso ao final do jogo. Uma vez na plataforma e dentro do vagão já é a segunda fase, mas dessa, ninguém conseguiu passar.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Livros ambulantes

O caminho do metrô ao trabalho é sempre o mesmo, de 7 a 10 minutos alcanço meu destino. Está lá, a tiazinha que vende capinhas para celulares, a senhora do café-da-manhã, a banca de jornal, a sede da Prefeitura para Assistência Social e os milhares de ônibus na avenida. Sempre fico reparando seus destinos, vai que algum dia eu precise me deslocar, já sei para onde posso ir por meio do transporte público. Hoje, passou por mim um ônibus diferente.


Amarelinho, formato diferente dos convencionais, parecia aqueles de filmes norte-americanos. Lá no alto podia-se ler em letrinhas vermelhas: Ônibus-Biblioteca. Pensei comigo mesma que era uma idéia super bacana, nunca tinha ouvido falar antes. Dentro do ônibus, estantes cheias de livros cobriam as janelas. Pesquisei e encontrei: "O ônibus-biblioteca é uma unidade móvel de difusão cultural implantada inicialmente por Mário de Andrade, escritor e primeiro secretário de Cultura da cidade de São Paulo. Em funcionamento desde 1936, com interrupções em função de acontecimentos pontuais, o projeto ainda é mantido pela Secretaria Municipal de Cultura para prestação de serviços à extrema periferia da cidade, onde ainda não existem serviços de bibliotecas públicas, atingindo crianças, jovens, adultos e idosos residentes nessas áreas. Somente em 2006, foram realizados 92.697 empréstimos nos 242 dias de funcionamento".


O ônibus atende entre 3 e 6 mil pessoas por mês e seu roteiro abrange os bairros de Grajaú, Capela do Socorro, Jardim Iguatemi, Rio Pequeno, São Mateus e Cidade Tiradentes. Em dias em que as pessoas não lêem mais ou se deixam absorver pela televisão, o projeto têm a esperança de levar um pouco de cultura para quem não consegue adquiri-la pelas próprias mãos.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Exaustão

O pensamento pára.
O tempo não anda mais.
A cabeça atordoa e os movimentos são mais lentos.
Músculos que nem existiam antes aparecem, doloridos.
A respiração ofegante começa a dificultar a entrada do ar.
No ombro, o peso sentido.
As pernas deixam de nos pertencer.
A mão escapa.
O calor toma conta.
O rosto pega fogo e o suor escorre pela batata da perna.
A coragem cresce e a esperança pede para se apressar.
Os ponteiros do relógio marcam 18:45.
Você pára e sente, enfim, a exaustão.
E ela te persegue até o resto dos dias.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Repugnância

Mais do que dor, repugnância. Repugnância pelas pessoas sem coração. Repugnância pelo lixo que é o ser humano. Repugnância por pertencer à mesma espécie. Repugnância por não poder fazer nada e saber que ninguém vai fazer. Repugnância pelos que usam casacos de pele.


Pelo menos alguém tenta e não custa nada divulgar o trabalho dos outros. A Organização People for the Ethical Treatment of Animals (PETA) faz a sua parte e luta para que os animais não sejam mal tratados. Um dos abaixo-assinados da ONG é contra o uso de peles. No site abaixo, vocês podem encontrar mais informações de como eles extraem a pele dos animais e o sofrimento pelo qual eles passam nas fazendas chinesas. Sua pele é retirada deles ainda vivos. Um horror. Há um filme para quem tiver coragem e estômago. Eu não consegui ver até o fim.




Para quem sentiu vontade de fazer a mesma coisa com os malditos chineses, mas sabe que não é possível, faça sua parte e assine:

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Salvem as estátuas!


O sol do final de semana mereceu uma manhã dedicada só para ele. Por isso, acordei cedo, cedo demais pra mim aos domingos e fomos ao parque. Andamos, abdominais (uma longa série de três), descansamos. No caminho de sempre na volta me deparo com algo bizarro, como muitos que acontecem em grandes cidades ecléticas como São Paulo. Talvez nunca tivesse reparado que há uma estátua na Praça Panamericana, mas dessa vez, ela estava impossível de não se notar. A estátua de Cristóforo Colombo (sim, descobri esse nome graças ao Google) trajava um colete salva-vidas. Desses que a gente ganha quando vai passear de escuna.


Na hora, pensei no meu blog. Uma bela postagem. Até tentei tirar uma foto, mas o farol abriu antes do tempo. Frustrada, já pensei que ficaria sem assunto em plena segunda de manhã. Mas o Google salva nossas vidas e encontrei não só a fotinho, mas também o que significava aquilo tudo. Meu primeiro pensamento foi de um doido qualquer zoando a estátua da praça, Thatha foi mais além, era um protesto contra as enchentes de São Paulo. É, fazia mais sentido.


Comecei a escrever e parei para realizar a minha busca. Descobri que os coletes fazem parte de uma instalação do artista plástico Eduardo Srur, o mesmo que colocou as gigantes garrafas PETs iluminadas na Marginal. O projeto ganhou o nome de "Sobrevivência" e seu objetivo é chamar a atenção aos monumentos já esquecidos da cidade. É, realmente deu certo. Se eu não sabia que existia uma estátua na Praça Panamericana, agora ela está bem visível. Ao todo, são 15 monumentos da cidade que agüentam qualquer enchente.


sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Crianças


As crianças são seres muito engraçados. Como elas podem ser tão espontâneas e verdadeiras? Deve ser a malícia que ainda não as contaminou. Ontem, eu estava no metrô (de novo! Por que tudo tem que acontecer no metrô?), o vagão cheio e fiquei de pé. Parei em frente a duas mães com duas crianças no colo. Uma, mas novinha de chupeta na boca, quase dormia, a outra, de vestido rosa e duas maria-chiquinhas, tinha uma cara de sapeca. No banco do outro lado, tinha uma avó (acredito eu) com uma neném no colo. Linda, gordinha, olhos azuis piscina e toda risonha.


A Maria-Chiquinhas resolveu fazer graça para ela. Deu tchauzinho, mandou beijo. No começo, a neném se deliciava: ria mostrando toda sua gengiva banguela. A Dorminhoca acordou num pulo e ficava observando a cena das duas sem parar. Uma estação depois, a neném cansou de rir das graças bobas da outra e se distraiu com outra coisa. A Maria-Chiquinhas para não perder a atenção começou a fazer caretas, apertar as bochechas, falar imitando mais criança do que ela já era. Não se contentando em simplesmente parar e ficar quietinha no colo da mãe, ela começou a bater com a mão na testa, meio que se socando mesmo. A mãe falou pediu a ela para parar, no que a Maria-Chiquinhas responde: "A neném gosta".


A neném nem estava rindo mais, ela devia estar pensando "O que essa trouxa está fazendo?", assim como somos nós que quase damos cambalhota para um bebê sorrir. Estação Liberdade, entrou um homem engravatado e se colocou na frente da neném. A outra ainda permanecia fazendo suas estripulias e pareceu extremamente irritada quando se deparou com uma barreira. Não acreditei no olhar de ódio que ela lançou ao pobre moço, parecia ter saído daqueles filmes de exorcistas.


Estação Sé, o mundo desce lá. Elas desceram, todas. Enquanto saíam do vagão, a Maria-Chiquinhas parou, olhou para a menininha dorminhoca e estendeu a mão. As duas deram as mãozinhas e sumiram entre o mar de cabeças da plataforma. O que seria de nós se ainda conservássemos a espontaneidade e ingenuidade de uma criança? Com certeza, seríamos mais felizes.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Mais um pouco de Eloá

Não queria escrever nada sobre o caso Eloá, já há reportagens, sensacionalismos e boatos demais sobre o assunto. Mas resolvi expressar a minha opinião em defesa ao Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais). Dizem que a função do Gate é apenas isolar a área e cabe ao GER (Grupo Especial de Resgate) cuidar das negociações durante um sequestro. O Gate faz parte da Polícia Militar, enquanto o GER, da Polícia Civil. Durante uma semana de conflitos entre ambas as polícias e diante da situação de greve da Polícia Civil, estão discutindo que o Gate não devia ter invadido o apartamento. Há um artigo que proíbe a participação do Gate nas negociações e prevê que ele pode apenas decidindo a melhor forma e oportunidade para agir.
Não acredito que o Gate tenha feito um mal trabalho, eles estavam lá, não estavam em greve e fizeram o que deveria ter sido feito já no segundo dia de cativeiro. Não acho que arrombar a porta tenha sido a melhor solução, talvez um atirador de elite tivesse resolvido o problema mais fácil. Agora discutem se Lindemberg atirou antes ou depois da invasão, já ouvi inúmeras versões. Pelo sim ou pelo não, se ele a matou, ele tinha a intenção. Não acho que foi impulso ou algo do tipo. Quem está com uma arma de fogo na mão, sabe das chances de se atirar.
Ontem, foi o depoimento de Nayara. Segundo a menina, houve um tiro bem antes do arrombamento, mas teria sido pro teto. Seu advogado quer R$ 2 milhões de reais do Estado. Dois vizinhos, dizem que ouviram sim um tiro um minuto, aproximadamente, antes da explosão da porta. Agora, fica a dúvida, se Lindemberg atirou mesmo antes da entrada da polícia, o Gate tinha um pretexto e a família de Nayara, não ganhará R$ 2 milhões do Estado. Caso contrário, ela pode levar uma fortuninha para casa. Estaria a testemunha-chave do caso mentindo??

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Na escola

Hoje recebi um e-mail com um ótimo videozinho no Youtube. Era uma aula de História e o professor explicava o que foi a Batalha das Toninhas. Uma aula bem dinâmica e meio teatral, em meio a onomatopéias e barulhos representando focas e tiros, o professor consegue prender a atenção dos alunos e ao mesmo tempo em que ensina, diverte.
Era uma típica aula de cursinho e apesar de nunca ter feito, vejo seu lado positivo e negativo. O positivo é economizar um ano de estudos, claro. O negativo é perder figuras como essa. Não pude conhecer professores extraordinários no cursinho, mas tive alguns muito bons durante o colégio. Lembro-me que na quinta séria uma professora de Geografia ensinava sobre os movimentos rebeldes da época da ditadura. Pensando bem, nem sei porque aprendi isso em Geografia, mas enfim... Durante uma das aulas, elas nos deixou de tarefa levar músicas que foram compostas na Tropicália. Todos pesquisaram e na próxima semana tivemos uma aula musical, junto com as músicas, interpretamos a letra e pudemos entender um pouco mais sobre o que se passava com a censura, os exilados e comunistas. Depois, pintamos um painel representando algo do período.
Na época, a gente nem gostava muito disso. Dava trabalho, requeria tempo. Certa vez, tivemos que interpretar um poema da Literatura Brasileira. Tínhamos que inventar um teatrinho pra ele, foi uma catástrofe, mas bem engraçado. Muitas vezes acabava para as mães dos alunos do grupo fazerem. Eu até gostava. Sempre fui muito ligada em artes, adorava pintar, fazer maquetes, desenhos. Tá bom, vai, era meio CDF, mas não do estilo nerd, porque conversava durante a aula toda. Certa vez, uma professora me suplicou para parar de conversar porque eu ia bem e atrapalhava quem não ia. Uma vez, até fui colocada com a carteira isolada na porta da sala pra não ter com quem conversar. Da outra, fui expulsa junto com um amigo da sala por ficarmos riscando um ao outro.
Já no colegial, o professor não resistiu e me mandou para a diretoria quando me pegou lendo a Boa Forma no meio da apostila. Mas todos superavam a ida à diretoria, era só perguntar para a diretora como estava o netinho recém-nascido dela. Ela se derretia e até esquecia sua bronca. Passar cola era uma coisa bem comum também. Eu adorava. Tínhamos sinais, truques, respostas dos testes embaixo do terceiro banheiro feminino e minúsculos papéis deixados cair no chão acidentalmente. Depois veio a faculdade, não tinha mais sinal, nem recreio, a cola era permitida e você não era mandado pra diretoria mais. Depois veio o primeiro emprego, o salário e um bando de responsabilidades sobre suas costas. Hoje, dá pra entender melhor quando os adultos nos diziam que a escola era a melhor fase de nossa vida naqueles dias em que respondíamos que não gostávamos de estudar. Hoje, as saudades que ficam nos trazem a certeza de que gostávamos e muito.
Para ver o professor Carlos, clique: http://br.youtube.com/watch?v=YypLUBYsLxs

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Loira traveco - Episódio II

E ela apareceu mais uma vez! Descendo a escada rolante com seu cabelo loiro preso em um coque, blusa roxa, um pouco mais comportada do que a anterior, óculos escuros em cima da cabeça e uma bolsinha a tiracolo. Desta vez, só faltou seu companheiro serelepe. Pena que não pude pegar mais detalhes. Aguardem a próxima aparição...

Adeus ano velho...

O final do ano nos pega de surpresa, quando menos se espera já vimos os enfeites de Natal nos shoppings, as compras alucinadas, os planos das festas. E com ele também chega o peso do ano que passou, das alegrias e tristezas vivenciadas, dos dias chuvosos que passamos embaixo do edredon, dos filmes que vimos, das manhãs ensolaradas, da areia quente da praia no verão, das desilusões choradas e das incertezas criadas.
Muitas pessoas esperam que o ano acabe logo para que todos os problemas desaparecem, assim como os fogos da virada. Nunca pensei assim, nunca anseei pelo final de um ano, nem tive a esperança de uma nova época para mudar tudo. É verdade que ainda temos dois meses para o final do ano, o que pode ser muito ou pouco, depende do ponto de vista.
Posso dizer que esse ano eu comecei a pensar assim, comecei a desejar pelo ano que está por vir, a desejar por uma nova fase que deixe para trás todos os obstáculos enfrentados em 2008. Um ano mais simples de se viver, um ano com menos conflitos, um ano de paz, um ano de muitas alegrias e conquistas, um ano para ficar para sempre na memória. Dois meses é pouco tempo para reconquistar o tempo perdido de 2008, dois meses é pouco diante de um ano inteiro que vem pela frente. Nesses dois meses, o ideal é fazer com que o ano que está passando tenha valido a pena e se despedir com classe do tudo que você já não quer mais levar para 2009. Adeus ano velho.


segunda-feira, 20 de outubro de 2008

A arte do espetáculo

Piruetas, saltos, máscaras
Gritos, risadas, palavras perdidas
Música, dança, colorido, alegria
Sonho, imaginação, brincadeira ou fantasia?

Não, realidade muito bem vivida
Na magia passageira sem sentido
Como se o mundo fosse perfeito
E nada mais proibido

Um piscar de olhos
E o azul vira vermelho
A mulher vira homem
Os aplausos estremecem

E num instante, sem demora
Lá no fundo a invadir
Uma pontada de inveja
Do dom daqueles que nos fazem sorrir.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Bela fome

E foi hoje que foi feito o suposto maior sanduíche do mundo. Suposto porque ele foi devorado em alguns instantes e os juízes do Guiness não tiveram tempo nem de registrar o recorde. Os gulosos são iranianos e aguardavam com tremenda ansiedade pelo término do sanduba. Enquanto mediam, uma multidão se instaurou e dovorou em poucos instantes o gigante sanduíche de 1500 metros com 700 quilos de carne de avestruz e 700 quilos de carne de frango. Famintos.


quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Pra lá de blasé

Ufa, até que enfim a gripe me deixou. É horrível quando ficamos como ficamos com o corpo doendo e a cabeça sem poder pensar. Chegamos ao ponto de inércia e somos levados por quem nos mandar. Mas não é preciso estar gripado para as pessoas agirem dessa maneira. Hoje, mais do que nunca, posso perceber o quanto as pessoas são inertes. Elas não reagem. Podem ver algo errado acontecendo, mas ao invés de reclamar, discutir ou brigar, elas se calam. E se calam porque é mais fácil, dá menos trabalho, não toma seu tempo.


É por isso que uma empresa de telefonia celular coloca serviços a mais na sua conta, é por isso que o som do vizinho fica ligado até às duas da manhã, é por isso que aquele carro continua estacionando no seu rebaixo, é por isso que pisamos no cocô do cachorro dos outros. As pessoas não contestam.


Segundo o sociólogo alemão, Georg Simmel, os indivíduos que vivem nas metrópoles são rodeados de estímulos que exigem o máximo de seu sistema nervoso e de sua concentração. As reações são tão imediatas e intensas que uma hora elas cessam e o indivíduo se torna anestesiado. Ela já não se importa com o que acontece a sua volta, não reage e perde sua percepção de emoções e objetos. A famosa atitude blasé.


E a cada dia que passa, vemos mais isso acontecer. Não adianta deixar pra lá, não adianta relevar. Se não nos importarmos, aquilo vai continuar errado, vai continuar acontecendo e pode prejudicar mais pessoas, além de você. A indiferença é a pior atitude que podemos encontrar em um ser humano. Grite, reclame, faça acontecer. Mudar o errado também depende de você.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Elas ou eles

Corpão, alta, loira, rabo de cavalo no alto da cabeça, óculos escuros, roupa colada no corpo, salto alto, bumbum empinado, seios à mostra, lábios carnudos. Lá ia ela entrando no metrô. Mas, um momento. Que boca esquisita! Que rosto grande! Que cabelo artificial! Que corpo de homem! E era isso mesmo o que vocês estão pensando. Um homem. Lá ia ele entrando no metrô. Corpão, alto, loiro, rabo de cavalo, óculos escuros, roupa colada no corpo, salto alto, bumbum empinado, seios à mostra, lábios carnudos. Um homem fantasiado de mulher. Parecia brincadeira, mas não era.
Sua boca era maior e mais articificial do que a da Karina Bach; seus seios, durinhos embaixo do decote; suas unhas, mais bem feitas que as minhas; seu bumbum sem nenhuma celulite, revelando que só os homens conseguem essa façanha. E como se equilibrava em cima do salto! Parecia desfilar para uma platéia que não conseguia desviar o olhar.
Depois da primeira impressão, os espectadores conseguiam notar que, atrás dele, seguia um outro moço saltitante. Magrinho, pele e osso, mulato claro, cabelo ruim escondido por um boné com estampa de glitter. Parecia a Lacraia quando tentava acompanhar os passos do travesti. Regata justa no corpo, calça jeans presa por um cinto de tachinhas, ele levava uma maletinha prateada em uma das mãos, iguais a essas que usamos para guardar maquiagem e bijuteria.
O trem chegou, os dois entraram, sentaram-se e continuam a animada conversa, sem se importar com os olhares repreensivos, assustados, acusadores e intrigados dos passageiros do vagão. O Loirão olhava para suas unhas, a fim de descobrir alguma falha. A Lacraia puxava conversa a todo instante. Chegaram ao seu destino e ambos saíram da estação assim como entraram, sem se abalar com o resto do mundo.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Meio a meio


Simples seria se todo divórcio fosse como o do casal cambojano. Eles decidiram partir a casa ao meio para evitar os conflitos que toda separação pode ocasionar. Só resta saber aonde a outra metade foi parar.